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Mensagens

Não tenho discurso, mas não desisto

Não tenho ideias, o actual Governo juntamente com o resto da esquerda e, pior do que tudo, a própria realidade desmentem-me a toda a hora. O Diabo, que eu até podia muito bem venerar, não parece muito interessado em dar uma ajudinha. Talvez ande distraído ou coisa que o valha. E um dia a calamidade bateu-nos à porta. Sei bem que diz o bom senso que a situação, até pela sua gravidade, merece calma e seriedade - características, também sei, próprias dos grandes líderes. Mas eu não resisto e não posso esperar. Desta forma atiro com suicídios - que logo por azar não aconteceram - e faço a defesa do eucalipto, mostrando também desta forma como o Partido Socialista se encontra refém do Partido Ecologista os Verdes.  A primeira ideia - a dos suicídios - não terá sido a melhor das ideias, mas a culpa não foi minha. Passaram-me essa informação e eu acreditei. Caramba também não sou assim tão cínico que não acredite na palavra das pessoas! Mas ainda assim dou comigo a pensar: não terá h...

Culpas e desespero

De quem é a culpa? O que falhou? Quem falhou? São as perguntas que acabaram, como se era de prever, reféns do passa-culpas. Por um lado, aponta-se à Protecção Civil, um conjunto de falhas ao sistema de comunicações integrado, o famigerado SIRESP; outros relatórios apontam o dedo à Protecção Civil que terá levado demasiado tempo a accionar os mecanismos necessários para socorrer as populações. Outros ainda procuraram, e continuarão a fazê-lo, imputar responsabilidades políticas ao Governo em funções, talvez agora com menos recurso a presumíveis suicídios. Com efeito, as palavras levianas de Passos Coelho, quando afirmou conhecer situações de desespero que redundaram em suicídio para depois, perante a não confirmação, insistir, mas desta feita em tentativas de suicídio, podem ter o condão de deitar alguma água na fervura. Ou por outras palavras: as afirmações despropositadas e de mau gosto do antigo primeiro-ministro podem arrastar consigo uma certa contenção de tantos que se enfileir...

Comunicação social

A desgraça que se abateu sobre o país serviu para mostrar a debilidade das florestas portuguesas, mas teve também o mérito de mostrar a verdadeira face da comunicação social. Em bom rigor não há novidade quer no que diz respeito ao primeiro assunto como ao segundo.  Depois de dias de exploração do assunto, não raras vezes recorrendo a formas pouco dignas de tratamento das notícias, é agora tempo dos fazedores de opinião afectos ao anterior governo fazerem das suas. Assim, aponta-se o dedo ao Executivo de António Costa, clamando-se pela demissão da ministra da Administração Interna. Assim, aproveita-se a tragédia para atacar o Governo: má preparação, incúria, opções políticas erradas - tudo terá começado e terminado com António Costa. Mesmo questões difíceis de abordar como o SIRESP - resultado da promiscuidade entre PSD e o famigerado BPN - são responsabilidade do actual governo. Ou seja esqueçamos, convenientemente, os bons resultados económicos, que tantas dores de cabeça ...

Passos Coelho igual a si próprio

Aparentemente revoltado com o que se passou no país, o ex-primeiro-ministro enfatizou o falhanço do Estado, um falhanço que persiste, tanto mais que ele próprio teria conhecimento de suicídios "por falta de apoio psicológico em Pedrógão". É certo que imediatamente tanto o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande como o Presidente da Administração Regional de Saúde vieram a público negar qualquer suicídio, mas isso não afectará quem, num desespero indisfarçável, procura retirar dividendos da desgraça No entanto e como choveram críticas à precipitação de Passos Coelho, veio o Provedor da Santa Casa da Misericórdia dar o corpo ao manifesto, pedindo desculpas por ter induzido Passos em erro. E assim se esperaria que o infeliz assunto ficasse por aí: uma também infeliz sucessão de equívocos. Não ficou e Passos Coelho viu-se obrigado a pedir desculpa. A desculpa prende-se com a não confirmação da informação e não pelo abjecto aproveitamento político de uma desgraça sem precedente...

O Sr. Ex-primeiro-ministro ouviu bem: nacionalização

A palavra "nacionalização" arrepia uma certa direita, medíocre, neoliberal e incapaz de reconhecer os falhanços enormes do sistema. Passos Coelho, ex-primeiro-ministro-inconformado, pertence a essa direita e mais: é um dos expoentes máximos dessa direita em Portugal. Vem isto a propósito de uma notícia veiculada pelo Jornal Público e que dá conta de uma acordo firmado entre o Estado, representado pelo governo de Passos Coelho e o famigerado SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal e do consórcio que explora essa fileira composto, uma PPP, composta por Galilei (ex-SLN, sim estamos a falar do BPN), ESEGUR, PT, Motorola e Datacomp. O acordo visava uma redução de pagamento por parte do Estado de 25 milhões de euros, e embora o acordo tenha sido firmado no dia 9 de Abril de 2015, só se efectivou e ficou concluído pelo actual Governo de António Costa. O SIRESP, o tal que custou mais de 500 milhões ao erário público, e que passou pelas mãos de vár...

Os bons resultados

Primeiro vingou a ideia, por pouco tempo ainda assim, que postulava um inevitável fracasso da solução que juntava Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Partido Comunista; depois esperou-se que o Diabo estivesse para chegar, ainda estamos à espera; finalmente, e já num contexto de desorientação, procurou-se reclamar louros sem qualquer espécie de sentido, fosse no que diz respeito à redução do desemprego, fosse nos próprios resultados económicos – tudo era por conta de Passos Coelho. Ora, a realidade teima em ser tão diferente dos sonhos mais ousados do ex-primeiro-ministro. Afinal de Contas, Portugal está oficialmente fora do Procedimento por Défice Excessivo e como se isso não fosse suficiente ainda se propõe pagar, antecipadamente, 10 mil milhões ao FMI, enquanto se financia a juros notavelmente baixos. Para cúmulo dos cúmulos ainda assistimos aos elogios de Schäuble e seus acólitos – são exercícios plenos de hipocrisia, mas que garantidamente causam azia em Passos Coelho, Maria...

Viver a ilusão de que o neoliberalismo é o futuro

O neoliberalismo que marca o capitalismo das últimas décadas baseou-se numa grande ilusão: o bem-estar social aliado ao crédito. Ou seja, embora os rendimentos do trabalho tenham vindo a ser consideravelmente reduzidos, o crédito permitia a manutenção quer da ilusão de bem-estar, quer do próprio funcionamento do capitalismo.  No entanto, 2008 deu mais um contributo para que o corredor das ilusões se tornasse progressivamente mais exíguo. Paul Mason, no seu livro "Pós-Capitalismo" faz o diagnóstico com base nas três rupturas sistémicas: climática, demográfica e, evidentemente, financeira. Segundo o autor, uma voz cada vez menos isolada, o capitalismo neoliberal ou moderno aproxima-se do seu fim. Mas a ilusão permanece; a ilusão que permite esquecer que vivemos o pior dos momentos - o de transição que vem invariavelmente acompanhada de confusão. E subjacente a essa ilusão está a ideia de que o capitalismo, apesar desta deriva neoliberal, tem pernas para andar e que a crise...