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O Diabo não vem aí, o Diabo já cá está

Sob a ameaça de recessão, alguns comentadores decidiram ressuscitar a imagem do Diabo tão apregoada pelo malogrado (politicamente) Pedro Passos Coelho. Segundo o antigo primeiro-ministro o Diabo estava a caminho e seria a ruína da tão odiada geringonça. Note-se que este profecia do Diabo era mais um desejo do que propriamente mera futurologia. Agora e perante uma Alemanha a roçar perigosamente a recessão, perante as restantes economias europeias com um crescimento económico perto do zero, face ao resto do mundo, com a China à cabeça, a crescer muito menos e com uma guerra económica entre EUA e China como pano de fundo, desenterra-se o Diabo. Na verdade, o Diabo não precisa que as marionetas do costume o desenterrem. Na verdade, ele já anda aí e há muito tempo, chama-se capitalismo. Ele não vem, ele já cá está, entre os crescimentos e as crises, entre os crescimentos cada vez mais irrisórios e à custa do próprio planeta, mas com ares de verdadeira recuperação por se seguirem a crises pr…

O "blablabla" de Bolsonaro

A postura do Presidente brasileiro no que diz respeito à ditadura militar que manchou o Brasil de sangue entre 1964 e 1985 ultrapassa largamente os limites da decência, sobretudo quando as vítimas e familiares dessas vítimas têm que ouvir os desaforos desta inefável criatura. Entre as muitas asneiras que saem profusamente da boca do Presidente, destaca-se o revisionismo histórico atirado para cima de uma das vítimas da ditadura - o filho de um homem que foi torturado e assassinado. Esse filho é hoje Bastonário da Ordem dos Advogados brasileiros. A crueldade subjacente à postura e às palavras de Bolsonaro é inacreditável. Paralelamente, perante os documentos que narram o terror da ditadura, Bolsonaro afirma ser "blablabla". Isto para além de procurar descredibilizar a Comissão da Verdade cuja missão é precisamente investigar os crimes cometidos pela ditadura.. O blablabla do Presidente para além de ser estranha e tristemente pueril, é demonstrativo de uma postura …

Sondagens

As sondagens não têm sido particularmente felizes para os partidos de direita, mas a última sondagem da TVI é um verdadeiro balde de água fria para PSD, CDS e PCP. O PS fica longe da maioria absoluta, mas o PSD fica a 15 ponto percentuais de distância, enquanto o CDS passa para o partida trotinete com um resultado trágico: 3,3%. PCP/PEV não consegue mais do que 5.6% - o pior resultado em legislativas.
Em sentido contrário, a sondagem da TVI mostra o melhor resultado do Bloco de Esquerda, terceira força política, com uns expressivos 14,7 por cento e o PAN atingindo os 7,9%, passando para terceira força política.
Trata-se de mais uma sondagem com todas as limitações que as mesmas comportam, mas que no entanto serve para se discutir um cenário hipotético que, apesar de naturalmente incerto, mostra uma direita francamente enfraquecida. Um enfraquecimento que, de resto, a liderança do CDS já reconheceu e o especialista em ganhar eleições (em sonhos), Rui Rio, finge não existir.

Tudo e um par de botas

O PSD, o que resta do PSD que ainda se mexe, acusou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, de "prometer tudo mais um par de botas", isto a propósito das afirmações do ministro sobre a construção de "uma grande área metropolitana entre Lisboa e Porto" e subsequente ligação ferroviária que permitirá ligar ambas as cidades em apenas uma hora.
As palavras do ministro que enfatiza o sonho de ligar ambas as cidades em pouco mais de um hora, não constituem propriamente uma promessa, e no melhor dos cenários podemos falar de uma troca de ideias e apresentação de possibilidades, pouco mais do que isso.
O PSD, ou que resta do PSD, vem uma vez mais atirar e falhar o alvo. Não há nada nas palavras de Pedro Nuno Santos que justifique a questão da promessa. Não sei até que ponto as mesmas acusações se aplicam a outros ministros do actual Executivo, o que sei é que o anterior governo não só não prometeu nada, ao ponto de matar o que restava …

Amazónia. Ponto de não retorno.

O "The Guardian" notícia que as políticas de enfraquecimento das autoridades que protegem a floresta e a desflorestação acelerada, promovidas por Jair Bolsonaro, estão a arrastar a situação na Amazónia para um ponto de não retorno. Ou seja caminhamos para uma irreversibilidade que terá consequências dantescas para o planeta.
Importa, pois, dizer e repetir que existem culpados e que esses culpados têm rosto e nome e que quem os apoiou não é menos culpado. Em rigor, o actual Presidente brasileiro não enganou propriamente o eleitorado, manifestando por diversas vezes o desprezo que sente pelas questões ambientais. Afinal de contas reinam por aí alguns idiotas que acreditam que o planeta deles é diferente do dos outros. Mal entrou em funções Bolsonaro tratou de imediato de enfraquece as agências governamentais responsáveis pela protecção das florestas. Depois não escondeu o desprezo que sente pela população indígena que é o garante da sustentabilidade da maior flores…

Estado de emergência (política) de Pedro Santana Lopes

Santana Lopes, movido pelo habitual e tão raro sentido de responsabilidade, viu-se na obrigação de fazer um apelo aos partidos de centro-direita num texto publicado no Facebook intitulado "Imperativo Patriótico".
Esta podia muito bem ser a anedota da semana. Uma anedota que contaria com particularidades francamente divertidas: Santana Lopes no papel de cimento do centro-direita e uma sondagem que indica que 77% dos portugueses não o querem como primeiro-ministro nem que ele se banhe em ouro.
Agora num tom um pouco mais sério (não custa tentar), Santana Lopes pede para os líderes dos partidos de centro-direita se encontrarem "tão breve quanto possível". A razão? "Um estado de emergência política" relacionado com o binómio direita-esquerda, isto depois de Santana Lopes "ter passado 4 semanas na estrada a ouvir as preocupações dos portugueses", e acrescenta: "As pessoas estão muito preocupadas com a extrema-esquerda e com as políti…