quinta-feira, 21 de junho de 2018

Mais um sinal dos EUA

É oficial: os EUA abandonaram o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. O anúncio foi feito por Mike Pompeo, secretário de Estado, e por Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU. O motivo? Haley já tinha acusado o Conselho de ter adoptado uma postura anti-israel e recentemente acrescentou que o organismo é "hipócrita".
Nesse sentido, os EUA têm vindo a reclamar por uma reforma profunda no Conselho dos Direitos Humanos, sem sucesso. Agora o anúncio foi feito, um pouco na senda de outros que resultaram no fim de vários acordos entre os EUA e outros países ou organismos internacionais.
Tudo se torna particularmente inquietante quando o contexto é aquele caracterizado pela política de tolerância zero de Trump no que toca à imigração e que tem culminado com crianças separadas dos pais que foram detidos. Imagens e gravações de crianças a chorar em armazéns torna tudo ainda pior, mesmo que aparentemente o Presidente tenha manifestado a intenção de pôr alguma água na fervura.
É verdade que os EUA nem sempre pautaram a sua política externa pelo respeito pelos Direitos Humanos, assim como é também verdade que este organismo - o dito Conselho dos Direitos Humanos da ONU - nunca entusiasmou as várias administrações americanas desde a sua criação em 2006. Mas Trump consegue ir muito mais longe no desrespeito mais flagrante e abjecto dos Direitos Humanos.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Separar crianças dos seus pais - o último grito da Administração Trump

Donald Trump prometeu lutar contra a imigração ilegal e está a fazê-lo da pior forma possível e imaginável, separando crianças imigrantes dos seus pais.
Para tornar tudo ainda mais surreal - para além do facto de se tratar de um país construído por imigrantes e cujas populações autóctones ou foram dizimadas ou entregues à doença, ao jogo e ao álcool - é a forma desumana como se faz essa separação. 
Assim, o mundo vê imagens de crianças enjauladas a chorarem pelos pais; assim o mundo ouve uma gravação feita nos EUA onde se escutam as vozes de crianças a chorarem pelos pais - as gravações foram efectuadas nos centros de detenção, muitos dos quais armazéns, onde estão engaioladas estas crianças.
De resto, estima-se mais de 2 mil crianças imigrantes já foram separadas das suas famílias, tudo bem enquadrado na luta contra imigração sobretudo na zona de fronteira com o México.
Tudo isto se está a passar na América onde um néscio de cabelo amarelo e de má índole comporta-se como uma criança rica e mimada. As outras, as verdadeiras e as mais frágeis, sofrem as consequências deste misto de populismo pueril e ignomínia.

terça-feira, 19 de junho de 2018

O "bye bye" de Marques Mendes

Marques Mendes, de cognome o irrelevante, procura dar provas de vida mimetizando Marcelo Rebelo de Sousa, num misto de sabe tudo com a coscuvilhice da vizinha do rés-do-chão.
Tal como Paulo Portas, Mendes é um apaixonado por frases ocas, como aquela que profetiza o "bye bye" do PS à maioria absoluta se o partido não encontrar novas causas. Permita-me discordar, mas o "bye bye" à maioria absoluta acontecerá muito provavelmente e tornar-se-á uma inevitabilidade se o Governo fizer o jogo da direita. Ainda há escassas semanas um estudo internacional dava conta do elevado grau de satisfação dos portugueses no que diz respeito ao seu Governo, ocupando Portugal um dos lugares cimeiros. O estudo salientava também a forma exponencial como essa satisfação cresceu.
É evidente que nem tudo são rosas e que o desinvestimento dos últimos anos em áreas essenciais como a Saúde ou a Educação não foi suficientemente debelado. Ainda assim, parece evidente que os cidadãos encontram-se particularmente satisfeitos com a actual solução política que alia PS a PCP, BE e Partido Ecologista "Os Verdes".
Consequentemente considerar que a maioria absoluta voa pela janela devido à inexistência de novas causas ou é ingenuidade ou trata-se de má-fé. O "bye bye" profetizado pela vizinha do rés-do-chão acontecerá por culpa do PS se este insistir em se voltar a deitar na mesma cama com a direita e a legislação laboral é uma verdadeira prova de fogo. Seria mais profícuo para todos que o próximo "bye bye" fosse do próprio Marques Mendes. 

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Legislação laboral: o perigo de todos os perigos

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, avisou para os perigos inerentes a uma união entre PS, PSD e CDS em torno da legislação laboral. A CGTP, em Conselho Nacional, aprovou uma resolução com marcação de uma concentração nacional para o próximo dia 6 de Julho como forma de protesto precisamente contra a proposta de lei do Governo no âmbito da legislação laboral, que contará com o apoio do PSD.
Deste modo, a CGTP prepara já uma luta contra a aliança entre PS e partidos de direitos naquilo que é considerado um retrocesso em matéria laboral.
Com efeito, se o PS insistir em agravar a precariedade, piorando as condições da contratação colectiva e enfraquecendo o trabalhador nas relações laborais, a solução política de esquerda sai ferida de morte. É também evidente que essas alterações contarão com o beneplácito de PSD e CDS.
De um modo geral, a questão das mudanças na lei laboral podem muito bem ser o teste supremo a esta solução de governo. É também neste particular que o PS pode igualmente voltar a encontrar a sua costela de esquerda ou render-se definitivamente à direita com que se tem deitado nas últimas décadas.
Aquilo que é apelidado, de modo depreciativo, pelo menos era essa a intenção, de geringonça não sobreviverá, ou não terá futuro, se o PS voltar a partilhar a mesma cama com PSD e CDS. António Costa estará seguramente ciente que tudo isso se pagará nas urnas e que depois dessa viragem não haverá reedição da dita geringonça. Será que Costa acredita assim tanto numa maioria absoluta? Seria prudente não o fazer. Seria prudente não deitar por terra uma solução que pode muito bem ser a última a levar o PS de regresso àquilo que já foi a sua natureza.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

A condenação da ONU

A resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU condenando com particular veemência a conduta de Israel que visou o povo palestiniano veio deixar Israel e Estados Unidos completamente isolados.
O mundo já tinha condenado a violência exercida pelo Estado israelita, sobretudo depois da decisão dos EUA de transferirem a embaixada americana para Jerusalém.
A comunidade internacional veio assim, através desta resolução da ONU, confirmar e consolidar a forte censura à violação dos direitos humanos perpetrada por Israel e com o beneplácito dos EUA. Mais concretamente, é salientado o uso excessivo de força contra civis palestinianos e é ainda solicitada a criação de um "mecanismo internacional de protecção dos territórios palestinianos". E nem uma palavra com o intuito de condenar o Hamas.
A política de Trump para a região acaba assim perfeitamente isolada, rodeada apenas de críticas que ecoam por todo o mundo. Críticas que pouca ou nenhuma diferença fazem a uma figura que combina uma forte dose de megalomania com inépcia.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Trump e Kim: direitos quê?

Todos cantaram vitória, como se esperava. O encontro entre Donald Trump, Presidente norte-americano, e Kim Jong-un, líder norte-coreano, foi apresentado por ambos como um sucesso. De resto, Trump inventou uma vitória, exacerbando uma mão cheia de nada e o inefável e aparentemente imprevisível Kim Jong-un voltou a ser uma vedeta, mudando apenas de papel e deixando obviamente cair o papel de vilão.
É também por demais evidente que entre estes dois protagonistas não há lugar para conversas sobre Direitos Humanos. Trump está-se nas tintas para direitos que desconhece e Kim viola esses direitos com a mesma naturalidade com que se toma o pequeno-almoço todos os dias.
Entre sorrisos amarelos, momentos constrangedores envolvendo apertos de mão e o empolamento de tudo e mais alguma coisa, apresentada sempre como uma vitória, e entre ainda ilusões de desnuclearização e respeito  pelos anódinos compromissos assumidos, os Direitos Humanos ficaram de fora de qualquer discussão. Desde logo porque um está-se nas tintas e o outro simplesmente viola todos esses direitos.
Recorde-se que no passado, Bill Clinton, também Presidente americano, encontrou-se com o pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, e um dos principais óbices à chegada de qualquer espécie de entendimento foi precisamente a questão central dos Direitos Humanos.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Sempre para pior.

terça-feira, 12 de junho de 2018

O encontro é histórico, o resultado é que nem por isso

O mundo prepara-se para o que sairá do encontro histórico entre o Presidente americano Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, que será, muito provavelmente pouco mais do que nada: nem os EUA conseguirão a desnuclearização total da Coreia do Norte, nem a Coreia do Norte conseguirá ter uma relação diferente com os EUA e com o mundo, nem tão-pouco deixará de ser vista como uma ameaça e nada mais.
Com efeito Moon Jae-in, líder da Coreia do Sul veio dar um inédito contributo para a paz na região, aproximando-se, de forma igualmente inaudita de Kim Jong-un, aproveitando de forma exímia os jogos de inverno e a China fez-se valer da sua importância para a Coreia do Norte.
No entanto e apesar dessa aproximação, Trump continuou com a retórica repleta de acrimónia, com o líder norte-coreano a responder mais ou menos na mesma moeda. E depois dessas quezílias e de desmarcações de encontros, os dois líderes finalmente sentam-se à mesma mesa na ilha de Sentosa, em Singapura.
Trump vai atrás da desnuclearização completa - que corresponderia ao inexorável enfraquecimento do regime e a uma vitória americana. Kim Jong-un quererá um alívio das sanções e a melhoria da sua imagem. Nem um, nem outro conseguirão alcançar os respectivos objectivos, mas ambos não resistirão a declarar vitória.