quinta-feira, 23 de abril de 2015

Semelhanças entre PS e PSD

Depois de um grupo de economistas terem apresentado o cenário macroeconómico que servirá de base ao programa do PS, percebe-se que existem, ainda assim, acentuadas semelhanças entre o que um sugere e o que o outro sugere, executou e pretende continuar a executar, eventualmente ainda com maior veemência.
A semelhança mais inquietante prende-se com a rejeição de qualquer proposta que vise uma reestruturação da dívida. De igual modo, pretende-se cumprir, sem discussão, o Tratado Orçamental.
Ora, o Partido Socialista, à semelhança do PSD e CDS nos últimos quatro anos, insiste na mesma receita, rejeitando alternativas. É certo que nada está fechado com a apresentação do cenário macroeconómico, mas também é verdade que o mesmo serve de base às políticas preconizadas pelo PS. Estas semelhanças entre PS e PSD são sinais inquietantes; sinais de que nada de substancial mudará nos próximos anos. insiste-se assim na receita da austeridade e do empobrecimento, enquanto se assiste ao aumento da dívida e se acomoda à ideia de escravatura para décadas.

Em suma, as semelhanças entre ambos os partidos existem e quanto ao PS essas semelhanças em concreto dificultam uma possível aliança com os partidos situados mais à esquerda do espectro político.

E agora? Algo completamente diferente? Nem por isso

O PS, através um grupo de economistas, apresentou o cenário macroeconómico que engloba um conjunto de propostas concretas. Esse conjunto de propostas representa, até certo ponto, a antítese dos últimos quatro anos.
Verifica-se assim a intenção por parte do Partido Socialista de apostar no rendimento disponível, quer através da redução de impostos (IRS), quer através da devolução de pensões e salários. A ideia é simples e tem sido ignorada pelo actual Governo: aumenta o rendimento, aumenta o poder de compra e o consumo interno e estimula-se deste modo a economia. Em contrapartida existe a intenção de aumentar o imposto sucessório,
Paralelamente, é sugerido um complemento salarial pago pelo Estado aos trabalhadores com salários mais baixos. Sugere-se a reposição dos abonos de família e do complemento solidário de idosos. Restam algumas dúvidas quanto aos funcionários públicos, haverá racionalização de efectivos? Como?
De um modo geral, abandona-se a ideia das exportações como motor da recuperação económica, e aposta-se no reforço do rendimento das famílias como forma de promover a procura interna. Mais despesa, mas também mais dinheiro disponível, mais procura interna, mais emprego, mais descontos, menos subsídios de desemprego. Crescimento económico.
Todavia, existem aspectos negativos que aproximam o Partido Socialista da direita. Desde logo, a rejeição da reestruturação da dívida, factor que dificulta uma aproximação do PS dos restantes partidos de esquerda e inviabiliza qualquer solução para o país. O Tratado Orçamental é para cumprir. O investimento público continua a não existir. E claro está, a redução dos custos do trabalho, através da TSU, um paralelismo com o próprio PSD. Aliás no plano liberal, verifica-se a existência de sugestões que podem ser consideradas liberais; facilitação dos despedimentos colectivos; a proposta de um regime conciliatório (?); um contrato para a equidade laboral com períodos experimentais longos, ao mesmo tempo que se pretende penalizar quem use e abuse da contratação a prazo; formas de pré-aviso para que o trabalhador despedido encontre outro trabalho; o contrato colectivo apenas para quem aufere o salário mínimo. De igual modo, não há nada a dizer sobre a redução das férias, sobre as 35 horas ou sobre os cortes no subsídio de desemprego. 
O mesmo se passa com as privatizações, 
Aumento da idade da reforma e congelamento de pensões.
A Europa também não mereceu o tratamento que se exige.
Seja como for, tudo se tornou mais interessante. Finalmente existem propostas concretas e a discussão política poderá ser aquela que realmente interessa. 



quarta-feira, 22 de abril de 2015

Desvalorização salarial

O ainda Governo traçou vários objectivos em torno do empobrecimento colectivo: enfraquecimento do Estado Social, privatizações (negócios promíscuos e desastrosos para o país) e, claro está, a desvalorização salarial.
Todavia, Passos Coelho não está satisfeito. Quer mais, ou melhor quer menos - assume que os trabalhadores portugueses ainda são uns privilegiados. Voltou a insistir na questão da TSU, mas como estamos muito perto de eleições, essa pretensa redução de custos para as empresas não tocará - diz Passos Coelho - nos trabalhadores, que, por inerência, não serão chamados a contribuir.
A redução dos custos do trabalho tem sido devastador para os trabalhadores. Senão vejamos: este Governo acabou com feriados que passaram a dias de trabalho não remunerados; reduziu o pagamento de horárias extraordinárias; reduziu o período de férias; aumentou o horário de trabalho. Paralelamente, aumentou a precariedade e nivelou por baixo reduzindo o salário dos funcionários públicos.

Ainda assim, não chega. Passos Coelho quer mais e se, for reeleito, Portugal passará a ser um oásis de precariedade e baixos salários. Pelo caminho, o desemprego continuará a fazer pressão sobre os salários e o poder de compra dos trabalhadores continuará a não dar qualquer ajuda à economia. Vamos continuar a esperar que as exportações funcionem como a chave da recuperação económica. Esperemos assim por mais este milagre que, a par do milagre de Maria Luís - o milagre da multiplicação de jotinhas -, empurrem o país para a competitividade, transformando Portugal num dos países mais competitivos do mundo.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Apesar de...

"Apesar de ter servido em Governos do Partido Socialista... deu um contributo inestimável para o progresso da ciência em Portugal". Foi desta forma que Passos Coelho prestou "homenagem" a um dos homens que mais fez pela ciência e pelo conhecimento em Portugal - Mariano Gago.
Dois adjectivos destacam-se para caracterizar o Executivo de Passos Coelho: insensíveis e medíocres. De facto a mediocridade e a insensibilidade não parecem conhecer limites no seio deste Governo.
Apesar de tudo, Passos Coelho, coadjuvado por uma comunicação social refém da casta e entregue ao trivial, segue o seu caminho rumo a eleições, sem que as sondagens dêem conta do descalabro eleitoral que se justificaria, sobretudo depois de anos de incompetência, de empobrecimento, de promiscuidade e claro está, de mediocridade e insensibilidade.
Resta colocar a questão que se impõe: o que é que se passa connosco? Não há limites porque nós, colectivamente, nos demitimos da tarefa de impor esses limites.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Masoquismo

Pedro Passos Coelho, embora à porta de eleições, aposta numa mescla de demagogia e continuação da austeridade. Uma aposta sintomática da distorção da própria democracia; uma distorção que consegue funcionar num contexto de acentuado masoquismo.
Deste modo, Passos Coelho continua a não se sair mal das sondagens (com as ressalvas que as sondagens nos merecem). Dito por outras palavras: mais de vinte por cento insistem em confiar no PSD e a se estes acrescentarmos aqueles que depositam o seu voto no CDS, chegamos perto dos trinta por cento. Se isto não é masoquismo, não sei o que será.

Depois do empobrecimento colectivo; depois do desinvestimento na ciência, educação e cultura; após a degradação dos serviços públicos, designadamente na área da Saúde; depois da transformação da máquina fiscal numa máquina de trucidar cidadãos; após quase quatro anos de desvalorização social e aumento incomensurável da precariedade; depois do desaparecimento da esperança e do futuro do horizonte, há quem insista na receita que nos fez retroceder décadas em nome de um resgate congeminado por Passos Coelho e pelo seu séquito, em nome de uma dívida impagável; em nome de uma solução de contínuo empobrecimento cujo desfecho será, muito provavelmente, a saída do euro.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Isto e o seu contrário

O primeiro-ministro e o seu Executivo tudo fazem para ganhar eleições. O "estou-me lixando para eleições" perdeu toda a sua força. Não seria bem uma verdade como todas as outras. O Governo e os partidos que o compõem apresentam um vasto conjunto de propostas e alterações, passando a imagem de uma governo activo e preocupado com os cidadãos.
Deste modo, temos a recuperação da natalidade como motor do desenvolvimento do país; temos regulamentação do tabaco e até uma redução da TSU para as empresas, sem quaisquer prejuízos para os trabalhadores - vários milagres que se avizinham.
Em relação à natalidade, os paradoxos são tantos, sobretudo por parte de quem empobreceu o país e ainda assim acredita que nesse contexto de empobrecimento haverá mais crianças - são dispensados quaisquer comentários. Neste particular, tudo terá começado com a ministra das Finanças a promover a multiplicação, numa recreação do "crescei e multiplicai-vos" do Génesis. Quanto ao resto é carregado de demagogia, mas conta com o espaço privilegiado da comunicação social. Pelo meio, os partidos da oposição: alguns, por muito que lutem contra o descalabro do país, mantém-se longe do interesse de muitos cidadãos, e o outro, o PS, conta com uma liderança que ainda não se conseguiu afastar da tibieza e da insipiência.

Isto e o seu contrário. Eleições a quanto nos obrigas. A coerência ficou-se pelos cortes nas pensões - um verdadeiro tiro no pé dos partidos do Governo.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sem palavras

«É uma reportagem que só vem confirmar a opinião que eu tenho, que os serviços de urgência em Portugal funcionam muito bem, é uma experiência que confirma que tem picos de afluência, como nós já sabíamos, durante a noite os serviços tendem a encher-se, durante o dia tendem a estar mais vazios, por força da própria orgânica do sistema», disse o secretário de Estado adjunto da Saúde, Fernando Leal da Cunha, referindo-se à reportagem da TVI sobre os serviços de urgência de vários hospitais - um retrato assustador do estado a que chegaram os hospitais públicos; um atentado à dignidade humana. E Leal da Cunha acrescentou: «O que nós vimos foram pessoas bem instaladas, bem deitadas, em macas com protecção anti queda, em macas estacionadas em locais apropriados, algumas dos quais em trânsito eventualmente para outro serviço. Vimos pessoas em camas articuladas, vimos pessoas com postos de oxigénio, vimos hospitais modernos, vimos sobretudo profissionais muito esforçados», não se esquecendo de referir que as críticas dos médicos explicam-se com o facto dos mesmos pertencerem ao Partido Comunista.
O secretário de Estado adjunto perdeu uma oportunidade de ouro para estar calado. Uma oportunidade único e absolutamente desperdiçada. Ora, o secretário de Estado adjunto preferiu tecer comentários sobre o inefável. O resultado está à vista: mais uma manifestação boçal de insensibilidade que anda a par de tantas outras partilhadas por membros do ainda Governo. Não há palavras para descrever tamanha imbecilidade. .