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Mensagens

Os coices do neoliberalismo

O capitalismo selvagem, filho do neoliberalismo, quando ameaçado reage abruptamente, como qualquer besta. Perante o fim da guerra fria, e com afirmações apoteóticas de derrota do comunismo, criou-se a ilusão de que o caminho estava aberto para que o capitalismo florescesse sem qualquer oposição. Não se contou com quem ficava de fora de tanto sucesso; não se contou com a esmagadora maioria que luta para sobreviver no dia-a-dia; não se contou com o ataque, sem pudor, da ínfima minoria endinheirada aos recursos; nem tão-pouco se contemplou o grau de destruição que esse capitalismo infligiu ao planeta, aproximando-nos perigosamente do cataclismo. Perante as parcas vitórias de quem não se vergou ao neoliberalismo, este reage, violentamente e recorre, se necessário, aos mais infames dos infames para salvaguardar os seus interesses.  Assim, assistimos ao regresso dos fascistas, mais ou menos disfarçados, com maior ou menor fervor religioso, ao serviço desse neoliberalismo, como se vê, com part…
Mensagens recentes

A fome dos privados não se compadece com o SNS

Urgências fechadas; profissionais de saúde exaustos; doentes desamparados e um Serviço Nacional de Saúde que nunca recuperou verdadeiramente dos cortes efectuados durante o tempo da troika. É este o cenário do SNS pós-eleições Em rigor, o Governo do Partido Socialista, profundamente empenhado em cumprir as metas impostas pela UE, limitou-se a gerir o que restava, sem nunca ter voltado a fazer um investimento no SNS digno desse nome. Existiram alguns remendos, muito por força dos partidos que apoiarem a anterior solução governativa, mas tudo claramente insuficiente. Agora, sozinho, o Governo do PS, ainda profundamente dedicado à tarefa de agradar às hostes europeias, continua a mesma política de investimentos parcos e pontuais, com as consequências que estão à vista de todos aqueles que, por azar da vida, têm de recorrer a estes serviços. Ora, será escusado lembrar a importância que o SNS tem, presumivelmente, para o Partido Socialista que sempre reivindicou orgulhosamente a paternidade d…

Lula Livre

O processo que levou à prisão de Lula da Silva, num claro esquema para tirar Lula da equação eleitoral, configura uma incomensurável vergonha que, em tantos aspectos, se torna até pouco credível de que possa mesmo acontecer. Talvez Franz Kafka conseguisse elaborar com mais detalhe sobre uma narrativa desta natureza. Recorde-se que Lula foi acusado, em directo pela televisão, com direito a power-point, de ser o chefe da Lava-jacto. No entanto, e sem provas que levassem a onde quer que seja, os acusadores afirmaram que Lula terá comprado um triplex como pagamento (propina) de uma construtora, numa troca de favores. Perante a inexistência de qualquer prova, inclusivamente do próprio título de propriedade, os acusadores defenderam que é precisamente por causa da inexistência dessa prova que se mostra que Lula é efectivamente culpado porque a terá escondido. Tudo investigado por Sérgio Moro – o mesmo juiz que vem a condenar o ex-Presidente brasileiro a 9 anos de prisão; o mesmo juiz que vei…

Uma Joacine incomoda muita gente

Joacine Katar Moreira foi eleita pelo partido Livre. Joacine é gaga, facto que levantou uma incomensurável quantidade de vozes críticas, a maior parte delas manifestando a sua incapacidade de perceber o que Joacine diz. Subitamente, os portugueses passaram a estar particularmente atentos ao que um deputado diz na Assembleia da República. Antevê-se o trabalho que dará escutar o que os restantes 229 deputados têm para dizer. Mas Joacine incomoda muita gente por questões que vão muito para além da sua gaguez. Joacine é negra, feminista, lutadora. E é isso que incomoda muito mais do que os problemas de comunicação. É sobretudo a cabeça erguida de Joacine que incomoda muita gente. Mas será sempre a gaguez para uns e bandeira da Guiné para outros a chatear meia nação, pelo menos assumidamente.

Os complexos do Presidente da Câmara do Porto

A polémica em torno mudança de nome do edifício para Super Arena Pavilhão Rosa Mota, em vez de Pavilhão Rosa Mota Super Bock Arena levou o Presidente da Câmara do Porto a pedir para que "não me venham com complexos", enquanto refere que não vê problemas na marca de uma bebida alcoólica quando a própria cidade é conhecida pelo vinho do Porto. Rui Moreira, provavelmente de forma deliberada, deixa de lado o essencial: a mercantilização de tudo, a ideia de que tudo está à venda, sem limites. Moreira prefere fazer comparações bacocas para justificar aquilo que lhe convém, comparando um vinho da região a uma marca de cerveja. Meter no mesmo saco, mesmo como tentativa de justificar o injustificável, o conceituado vinho do Porto, único e apreciado internacionalmente, com uma marca corriqueira de cerveja é, no mínimo, ofensivo para o primeiro e enaltecedor para o segundo. Os complexos que o Presidente da Câmara do Porto não quer não são complexos nenhuns, são antes a manifestação de q…

Atraso civilizacional

Qualquer país considerado desenvolvido tem uma rede de transportes públicos digna desse nome. Portugal nunca teve e, apesar dos incentivos para a utilização dos transportes públicos, designadamente com a redução dos preços, continua a não ter, nem se vislumbra que venha a ter nos próximos anos. A rodovia sempre excitou governos e os muitos cidadãos. O programa do PS para as últimas legislativas contém uma secção sobre a ferrovia, incomparavelmente menor e menos ambiciosa do que em programas de partidos como o Bloco de Esquerda, mas as referências e as promessas estão lá. A ver vamos. Para já, e sobretudo desde a redução drástica do preço dos transportes, o cenário nas grandes cidades é dantesco: transportes a cair de podre repletos de gente, sobrelotação que acabará em desgraça. Ou seja, a medida, bem-vinda, de reduzir o preço dos títulos de modo a que mais pessoas utilizem os transportes públicos não foi acompanhada por qualquer medida não só para aumentar a oferta, como substituir o m…

No fim... resta a indústria do armamento

Quem é que no seu perfeito juízo pode apoiar a política externa levada a cabo pelo Presidente Trump? A inexistência de uma estratégia para a Síria, apenas com razões obscuras e sem consonância com o próprio interesse americano, tornam a questão na mais premente de todas. No fim restará a indústria do armamento que vê o negócio florescer com vendas de armas, em massa, a países como a Arábia Saudita. E, no entanto, esses negócios de armas com regimes sanguinários podem não ser suficientes. Falta a guerra, propriamente dita. Por conseguinte, não é certo que um dos mais fervorosos apoiantes da candidatura de Trump continue a sê-lo. Em rigor, o próprio Partido Republicano dificilmente estará satisfeito com a política externa desastrosa do actual Presidente. Resta saber se a redução de impostos para os mais ricos, a par do cerceamento de liberdades individuais, designadamente através do fim das políticas pró-escolha, numa espécie de sintonia com os ditames religiosos, será ainda suficiente. E…