No país onde racismo não existe profanam-se estátuas? Rui Rio arrumou definitivamente o assunto afirmando que não existe racismo em Portugal. Aliás, nem se percebe a razão que terá levado tanta gente, apesar da pandemia, a ousar sair para a rua. Se não há racismo, como o líder do maior partido da oposição afirma, o que estava toda aquela gente a fazer nas ruas? A estátua do Padre Vieira foi profanada. A tal, erigida em 2017, e que mostra o Padre Vieira, enorme, com pequenos índios a seus pés. Caiu o Carmo e a Trindade precisamente no país onde não há racismo. Não creio que a profanação de estátuas seja o caminho para o que quer que seja. Defendo que em democracia o diálogo é tudo. Prefiro a troca de ideias a estátuas profanadas. E ainda assim compreendo o que está subjacente a algumas atitudes rapidamente apelidadas de "vandalismo". O que sei é precisamente aquilo que Rui Rio não sabe, ou não quer saber: existe racismo em Portugal; não discutimos de forma aberta o nosso passad…
Vivemos tempos em que as incertezas e as dúvidas imperam; dúvidas e incertezas sobre a vida social, política e económica. Contudo, existem algumas certezas, sendo o regresso da austeridade uma delas. A propagação do vírus e a subsequente paralisação das economias já está a ter um forte impacto nas mesmas. Como se sabe, nesta história tão bem conhecida, os responsáveis ficarão impunes (o dinheiro fala sempre mais alto) e serão os mais pobres e os remediados a pagar a factura. Assim sendo, espera-se o regresso da tão malfadada austeridade que se traduzirá na receita do costume: mais impostos para quem já os paga, menos rendimentos para quem trabalha. Paralelamente, não seria de rejeitar a possibilidade de novas privatizações, sobretudo quando os Estados forem chamados a pagar as dívidas que contraíram na sequência da epidemia. Creio que a nova austeridade pode vir acompanhada pelo recrudescimento e fortalecimento da extrema-direita. Com essa nova austeridade, virá o desespero de tempos re…