quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Primeira vitória

E espera-se que seja a primeira de muitas, até à vitória final. Refiro-me, claro, ao primeiro debate que colocou frente a frente Hillary Clinton e Donald Trump. Num momento em que, apesar de todo o espectáculo, exige-se preparação e seriedade e em que Trump não teve hipótese. A candidata democrata mostrou estar à frente no que toca às exigências que o cargo implica.
Todavia, e apesar da sondagem da CNN dar uma clara vitória a Clinton - mais de 60% dos inquiridos consideraram que a candidata democrata venceu o debate -, nada está garantido: faltam dois debates e a estranha possibilidade de um número significativo de americanos escolherem Trump para seu Presidente. Talvez Thomas Picketty volte a acertar em cheio: é mais fácil escolher como inimigo os imigrantes, os estrangeiros, aqueles que são, de alguma forma, diferentes de nós, do que o capitalismo selvagem que nos oferece nada mais do que pobreza, desemprego e a mais abjecta ausência de perspectivas. A isto acresce uma forte dose de ignorância e a cultura do espectáculo que invalida o pensamento e o espírito crítico. Talvez seja este a súmula do que vai nas mentes daqueles que nos EUA escolhem Trump e que na Europa apoiam criaturas semelhantes.
De qualquer modo, a vitória de Clinton, com todos os seus defeitos, que não são poucos, é uma excelente notícia. A mera possibilidade de ver Trump na Casa Branca causa um arrepio na espinha de todo o mundo.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Uma semana repleta de peripécias

Podemos considerar que a última semana foi repleta de peripécias: o livro de José António Saraiva, "Eu e os Políticos", o regresso de Sócrates e por aqui ficamos... é suficientemente profuso; é suficientemente negativo.
Sobre o primeiro pouco posso dizer, desde logo pela manifesta dificuldade em abrir o livro, o que, no meu caso, é situação inaudita. Talvez ainda o faça por imperativos da própria crítica: não a posso fazer sem conhecimento de causa. Contrariamente a outros que aceitam convites de apresentação sem fazerem ideia do que vão apresentar. Todavia, e por aquilo que já se conhece do livro, a coscuvilhice é a prata da casa, provocando um desconforto generalizado. Paralelamente, comparar a mera coscuvilhice a casos como o "wikileaks" é, no mínimo, risível.
E depois José Sócrates, apenas dizer que depois do que se passou nos últimos anos, o país não precisa de um regresso de José Sócrates.
Agora inicia-se uma nova semana. A ver vamos se com menos peripécias como aquelas acima enunciadas. Na verdade, nada indica que será melhor, até porque hoje o mundo assiste ao debate - arrisco desde já o adjectivo "surreal" - entre Hillary Clinton e Donald Trump. A semana promete.Podemos considerar que a última semana foi repleta de peripécias: o livro de José António Saraiva, "Eu e os Políticos", o regresso de Sócrates e por aqui ficamos... é suficientemente profuso; é suficientemente negativo.
Sobre o primeiro pouco posso dizer, desde logo pela manifesta dificuldade em abrir o livro, o que, no meu caso, é situação inaudita. Talvez ainda o faça por imperativos da própria crítica: não a posso fazer sem conhecimento de causa. Contrariamente a outros que aceitam convites de apresentação sem fazerem ideia do que vão apresentar. Todavia, e por aquilo que já se conhece do livro, a coscuvilhice é a prata da casa, provocando um desconforto generalizado. Paralelamente, comparar a mera coscuvilhice a casos como o "wikileaks" é, no mínimo, risível.
E depois José Sócrates, apenas dizer que depois do que se passou nos últimos anos, o país não precisa de um regresso de José Sócrates.
Agora inicia-se uma nova semana. A ver vamos se com menos peripécias como aquelas acima enunciadas. Na verdade, nada indica que será melhor, até porque hoje o mundo assiste ao debate - arrisco desde já o adjectivo "surreal" - entre Hillary Clinton e Donald Trump. A semana promete.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Afinal a sarjeta não é o lugar mais recomendável

Passos Coelho que afirmava não ser pessoa de voltar atrás na palavra e "dar o dito pelo não dito", afinal fez precisamente o contrário do que apregoou, pedindo ao ilustre autor do livro "Eu e os Políticos" que o desobrigasse. A editora, outrora conceituada, considera que nem sequer estão reunidas as condições para haver alguma apresentação.
Assim, Passos Coelho livra-se de uma tarefa que nada abonaria a seu favor. Até porque é facilmente compreensível que a sarjeta não é o lugar mais recomendável, sobretudo para quem ainda anseia pelo cargo de primeiro-ministro. Mas este retrocesso não se justifica com a natureza ignóbil do livro em questão, mas sim com esta curiosa "desobrigação".
É evidente que a polémica que se estava a instalar terá obrigado Passos Coelho a rever a sua posição, embora nunca venha a admitir que a sua associação a um livro que pretende chafurdar na vida de vivos e de mortos não fosse a melhor opção. 
Seja como for, ficou a intenção e a ideia de que mesmo que se trate de um erro, a opção de voltar atrás não é equacionada, preferindo-se deste modo insistir no erro. Até porque não se trata de um retrocesso de Passos Coelho, mas antes do facto do autor o ter desobrigado, embora a seu pedido, a par da editora que considerou não existirem condições para a apresentação do livro.
Patético e triste, como de costume.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Espalhar o medo e a mentira

A comunicação social está repleta de seres cuja única função parece ser espalhar o medo e a mentira, sobretudo desde que o Governo PS, apoiado por BE, PCP e Verdes, tomou posse. Tudo terá piorado quando começou a ser visível a viabilidade desta solução política.
Primeiro acenaram-nos com as trevas que BE e PCP trariam consigo; depois avisaram-nos que os resultados económicos seriam desastrosos; agora alertam-nos para o facto deste Governo estar a ser apoiado por forças anticapitalistas que estão a envidar todos os esforços para instaurar uma espécie de ditadura socialista. Pega-se num discurso de Mariana Mortágua, deturpando essas palavras e acusa-se a deputada do BE de querer "atacar as poupanças dos portugueses", quando na verdade o discurso tinha como alvo aquele famigerado 1 % acumulador de capital. Os mais ricos, portanto, mas tudo visto como um ataque ao capitalismo. A continuar assim não faltará muito tempo para o dia do juízo final e o PS apoia tudo.
É claro que não há argumentação, nem sequer existem sinais de que o tal Diabo almejado por Passos Coelho esteja a chegar. 
Usa-se o medo, apoiado na mentira e faz-se figas torce-se para que tudo corra pelo pior.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O caminho termina na sarjeta

Acontece frequentemente a quem perde o norte - acabar o seu caminho na sarjeta. Só assim se explica qualquer associação a um livro que pretende vender histórias íntimas de políticos, mesmo daqueles que faleceram.
Já ouvimos falar de jornalismo de sarjeta e sabemos que existem livros que se enquadram igualmente nessa categoria. Sabemos também que existe quem faça do desrespeito pelo outro e, amiúde pelo próprio, uma forma de ganhar notoriedade. Porém quando vemos um político terminar o seu caminho na sarjeta - um político que em tempos pediu contenção e respeito à comunicação social precisamente para salvaguardar a sua vida privada - torna-se difícil esconder o incómodo.
Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e alguém que visivelmente não está confortável no lugar de líder do maior partido da oposição, é, indiscutivelmente, livre de fazer o que entender. No entanto, ao associar-se ao livro de António José Saraiva que vive do desrespeito pela intimidade do outro, alinha pela mesma cartilha. Passos Coelho afirma que desconhecia o conteúdo do livro, mas que ainda assim, agora que sabe do que se trata, não é homem de voltar para trás. Nada de novo, aliás, tratando-se de Passos Coelho - o homem que perante o erro, insiste no mesmo, até à exaustão. Ora, se não sabia de que se tratava, como é que se comprometeu com a apresentação do livro? E mais grave: depois de perceber que se trata de lixo, do pior género de lixo, criado por aqueles que chafurdam na vida pessoal dos vivos e dos mortos, ainda assim insiste em se associar ao mesmo? Sem palavras. 
Em suma, Passos Coelho escolheu a sarjeta para terminar a sua malfadada carreira política.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Há uma diferença

Em rigor, há muitas diferenças a registar entre o actual Governo e o anterior, mas existe uma que merece destaque: o alvo da austeridade. Contrariamente ao anterior Governo que fez dos mais pobres e da classe média o seu alvo, o actual Governo prefere apontar para outras direcções - as dos que mais têm. Bom exemplo é a intenção do Executivo, coadjuvado por Bloco de Esquerda, de criar um imposto para proprietários com património de elevado valor. Concretamente, aqueles que possuem património acima de 500 mil euros. Este imposto será independente do já conhecido IMI. Imposto sobre o património de luxo.
Paralelamente, não é sério dissociar desta discussão aquilo que já foi devolvido precisamente aos mais pobres e à classe média no OE2016. A austeridade tem muito que se lhe diga e a chamada para os "sacrifícios" está a contemplar outros nomes que não os do costume. 
Haverá sempre quem considere este imposto injusto, designadamente quem se encontra na situação de ter de o pagar, no entanto a questão que se deve colocar é a seguinte: os apaniguados de Passos Coelho que tantos impostos deitaram sobre as classes médias, preferem esta solução - pagar quem pode pagar - ou insistir nos que fazem uma ginástica surreal apenas para chegar ao fim do mês?

Seguramente existirá uma multiplicidade de diferenças entre este Governo e o anterior, desde logo, diferenças de forma, mas a que está acima enunciada é indiscutivelmente uma das que mais merece ser enfatizada, pela positiva. Desde logo, obriga-nos a pensar sobre o modelo de sociedade que pretendemos: um modelo de desigualdades acentuadas ainda mais pela desequilibrada carga fiscal ou um modelo em que se procura atenuar essas desigualdades, utilizando também a fiscalidade para o efeito.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Resgate. Quem falou em resgate?

Subitamente a comunicação social (em Portugal e não só) decidiu falar em novo resgate. O mote poderá ter sido dado por Robert Skidelsky, conhecido na área da história da economia, que, por paragens lusas, referiu a necessidade de um segundo resgate para Portugal. Na verdade, o mote poderia ter sido dado por qualquer um, tal é a vontade que a comunicação social manifesta na mera possibilidade de um acontecimento prejudicial ao Governo, como seria o caso de um novo resgate.
O PSD anda há demasiado tempo pelas ruas da amargura. Preso a um líder incapaz de viver na oposição, à espera de um hipotético Diabo, o PSD regozija com um segundo resgate que enfraqueceria a actual solução política e provocaria novo período eleitoral. Esta seria a solução ideal para um partido à deriva que espera pelas autárquicas para se livrar do actual líder. Para a sobrevivência política de Passos Coelho um eventual resgate seria ouro sobre azul, permitindo uma nova esperança para um líder acabado. 
Assim voltaria a retórica, nada rigorosa, que associa resgate, bancarrota e situações similares ao Partido Socialista, a par da ideia que defende que este Governo deitou por terra todo o trabalho do anterior. Um segundo resgate seria muito desejado, compreensivelmente. E o país? Que se lixe o país.
Resgate? Quem falou em resgate? Uma comunicação social, despida de jornalismo, que procura alimentar toda e qualquer possibilidade que permita o enfraquecimento do actual Governo, contribuindo assim para o regresso daqueles que estão ao serviço dos mesmos interesses.