Se as diferenças entre o actual primeiro-ministro, António Costa, e o anterior, Pedro Passos Coelho, eram mais do que evidentes, a intervenção de Costa no final do último Conselho Europeu torna tudo ainda mais evidente e é digna do maior dos elogios. As palavras do primeiro-ministro, livres daquela bajulação tão querida ao anterior governo, limpa de culpa e sobretudo determinada, coloca o actual primeiro-ministro num patamar incomensuravelmente superior. Sabe-se que países como a Alemanha, os Países Baixos, a Finlândia e a Áustria continuam empenhados em destruir o que resta do projecto europeu. Mas nesta conjuntura que estamos a viver, uma das mais difíceis da história da Europa, insistir na fomentação da desconfiança e da culpa, colocando entraves a ajudas tão necessitadas, é um exercício irresponsável e que será fatal para a própria UE. Sem hesitação António Costa considerou a exigência do ministro das Finanças holandês para que Espanha seja investigada na sua capacidade orçamental pa…
Depois de ultrapassarmos e vencermos o vírus, o que nos espera? O que fazer perante o desastre económico que nos espera? Um desastre que fará exactamente as mesmas vítimas que todos os outros desastres económicos: os trabalhadores, os pobres, os vulneráveis onde se inclui cada vez mais gente, mesmo no mundo Ocidental. Estará esta UE, que mais uma vez falhou clamorosamente na prevenção e gestão desta crise, privilegiando sempre os grandes interesses económicos em detrimento da saúde dos seus cidadãos, na disposição de mudar radicalmente as suas políticas económicas? Se este é um teste a todos nós, é sobretudo o grande teste a uma UE que até agora apenas fez aquilo que sempre fez muito bem: falhar em toda a linha. As respostas a esta crise, que estão longe de serem nacionais, serão sempre parcas, sendo igualmente certo que depois da tempestade não virá qualquer espécie de bonança. Dê lá por onde der, acabe isto quando acabar, o certo é que todos temos de reaprender o conceito de solidaried…