sexta-feira, 23 de junho de 2017

Os bons resultados

Primeiro vingou a ideia, por pouco tempo ainda assim, que postulava um inevitável fracasso da solução que juntava Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Partido Comunista; depois esperou-se que o Diabo estivesse para chegar, ainda estamos à espera; finalmente, e já num contexto de desorientação, procurou-se reclamar louros sem qualquer espécie de sentido, fosse no que diz respeito à redução do desemprego, fosse nos próprios resultados económicos – tudo era por conta de Passos Coelho.
Ora, a realidade teima em ser tão diferente dos sonhos mais ousados do ex-primeiro-ministro. Afinal de Contas, Portugal está oficialmente fora do Procedimento por Défice Excessivo e como se isso não fosse suficiente ainda se propõe pagar, antecipadamente, 10 mil milhões ao FMI, enquanto se financia a juros notavelmente baixos. Para cúmulo dos cúmulos ainda assistimos aos elogios de Schäuble e seus acólitos – são exercícios plenos de hipocrisia, mas que garantidamente causam azia em Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e seus apaniguados.
É indiscutível que este Governo, apoiado por Bloco de Esquerda, PCP e Verdes tem conseguido resultados particularmente positivos: o défice mais baixo da democracia portuguesa, a redução da taxa de desemprego, o aumento da confiança, a saída do dito Procedimento por Défice Excessivo, os pagamentos antecipados aos agiotas, etc. Mas também é evidente que os bons resultados do Governo português em nada mudam o que está errado numa UE que se rendeu ao neoliberalismo falido. Nem tão-pouco mudam a percepção errada de quem está à frente dos destinos da Europa: aqueles que acreditam que existe alguma espécie de futuro num capitalismo que já nem pretende esconder a sua natureza selvagem.
Seja como for, nada disto enfraquece os bons resultados obtidos por esta solução política que, embora beneficie de um contexto internacional mais favorável, por enquanto, não deixou de mostrar que existe um caminho alternativo à austeridade até à morte e que esse caminho é o certo.
Depois de tudo isto, não admira pois que as intenções de voto no PSD sejam as mais baixas dos últimos 40 anos. É que para além de tudo terem feito para preservar e exponenciar um sistema repleto de iniquidades, não só falharam as previsões do cataclismo como foram incapazes de esconder que as suas receitas apenas trouxeram dor para a maior parte dos portugueses; dor invariavelmente acompanhada por uma dose inusitada de sadismo.
É claro que não deixará de haver quem procure atacar o Governo pela via dos incêndios, uma espécie de procura desesperada pelo Diabo que nunca apareceu, esquecendo responsabilidades do passado e ignorando o respeito que as vítimas, seus familiares e amigos nos merecem. Puro aproveitamento político a que alguns não resistem, ignorando, convenientemente, que o que aconteceu terá, também, razões de natureza política que jamais poderão ser o resultado de apenas dois anos de governação.

O desespero é assim: tantas vezes anda de mãos dadas com o vale tudo. 

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