Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Uma pipa de massa

Durão Barroso, ainda Presidente da Comissão Europeia, mostrou-se regozijado com um acordo firmado com o Governo português, a envolver 26 mil milhões de euros que Portugal deverá receber. Mais fundos a juntar a tantos outros que Portugal já recebeu. “ Uma pipa de massa ”, segundo Durão Barroso que serve também para calar quem tem falado mal da Europa. E como se isto não bastasse, Durão Barroso atira mais mil milhões de euros como prémio de bom comportamento, ou por outras palavras, pela fidelidade canina demonstrada nos últimos três anos. Todas as Tecnoformas do país regozijaram juntamente com o Presidente da Comissão Europeia. Num estilo paternalista, Barroso deixa recomendações: utilizem bem o dinheirinho. De fora do momento idílico partilhado por Barroso e por Passos Coelho ficou o empobrecimento do país; de fora ficou o retrocesso de décadas; de fora ficou, naturalmente, a responsabilidade de um e de outro no retrocesso social, no aumento das desigualdades, no desemprego av...

Mais do mesmo

António José Seguro e António Costa formalizaram as candidaturas às primárias do PS. Contas feitas e a escassos dois meses das eleições, somos confrontados com mais do mesmo. Com efeito, entre Seguro e Costa não existem diferenças substanciais, sobretudo no plano ideológico. Haverá seguramente uma vasta multiplicidade de diferenças no campo da personalidade, porém no que diz respeito às ideias e projectos para o país, mais do mesmo. Das eleições de Setembro sairá aquele que muito provavelmente será o próximo primeiro-ministro de Portugal, alguém que tem uma função clara: não mexer substancialmente no que está feito; dito por outras palavras: não alterar a ordem das coisas, não mexer em demasia num sistema que permite a perpetuação e agravamento das desigualdades e que garante a manutenção de um determinado conjunto de pessoas no poder político, económico, etc. António José Seguro ou António Costa não vão alterar profundamente a ordem de coisas, nem tão-pouco apresentarão qua...

Israel está a perder a guerra mediática

A mais recente ofensiva israelita em território palestiniano, designadamente na Faixa de Gaza, já resultou em mais mil mortos palestinianos, entre eles 200 crianças e mais de 40 mortos israelitas, sobretudo militares. A desproporção é óbvia e Israel começa a perder uma outra guerra: a guerra mediática. Esta é a consequência directa da desproporção e da morte de crianças. É óbvio que não será intenção de Israel matar crianças, mas tem acontecido de forma brutal e implica a perda de apoio internacional, sobretudo da opinião pública. A desproporção de meios e de resultados e a morte de civis, sobretudo de crianças, torna a vida de Israel, no plano internacional, muito mais intrincada. De resto, é contraproducente e apenas beneficia o Hamas. Desde modo, o radicalismo do Hamas que rejeita a existência de um Estado israelita e que utiliza todos os meios ao seu dispor para atacar o território israelita passam a ser questões pouco relevantes que são obnubiladas pelas imagens atrozes ...

A crise

Sobre a crise já muito se disse: que as pessoas, pensionistas, funcionários públicos, trabalhadores do sector privado, viveram acima das suas possibilidades; que o Estado Social é insustentável; que o Governo anterior tinha sido o responsável exclusivo pela difícil situação a que o país chegou. Todos repetiam esta litania e foi precisamente com esta litania, a par de algumas manobras insidiosas, que o actual Governo chegou ao poder. O sector financeiro, responsável pela crise, teve um papel secundário no processo de culpabilização dos últimos três anos. Pelo caminho ouvimos banqueiros criticar o subsídio de desemprego ou garantir que os cidadãos não tinham outro remédio que não fosse aguentar. Pelo caminho os arautos de um neoliberalismo desenfreado esqueceram-se de dizer que o a carga fiscal para a banca é insignificante - 2,1 por cento do total da receita de IRC em 2012, por exemplo, beneficiando ainda de outras benesses fiscais. Os mesmos arautos esqueceram-se de referir que o ...

Maus resultados em plena silly season

A execução orçamental no primeiro semestre não foi famosa. O défice da administração pública subiu mais 140 milhões. A culpa é do Tribunal Constitucional (TC) , o bode expiatório do costume e não da insistência por parte do próprio Governo na aplicação de medidas inconstitucionais. Outra notícia relacionada: Portugal foi o terceiro país onde a dívida pública mais aumentou, atingindo os 132,9 por cento do PIB - o terceiro valor mais alto de toda a U E. Entretanto já estamos todos esquecidos da origem desta crise e d a transferência do ónus da dívida de um sector bancário excessivamente endividado que apostou num sector imobiliário fortemente sobrevalorizado e em tudo o que foram negócios ruinosos para o país. Esse ónus passou para a dívida soberana. O capital moveu-se e nada mais. Trabalhadores e pensionistas ficaram com a fatura. Em plena silly season o Governo é confrontado com as más notícias que tenta escamotear, responsabilizando o TC. Esquece-se de referir o aumento do pag...

Guiné Equatorial na CPLP

A CPLP conta agora com mais um membro: a Guiné Equatorial. Aquele país corrupto, liderado por um ditador que chegou ao poder através de um golpe de Estado sem misericórdias. A História deste país é conhecida: Teodoro Obiang - é assim que o senhor se chama - chafurda no luxo resultado dos vastos recursos do país, enquanto 80 por cento dos seus cidadãos vivem na mais abjecta miséria. Este é um dos países mais ricos da África subsariana. A Guiné Equatorial aderiu à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Na sua maioria não falam português (excepção de algumas regiões onde se falam línguas crioulas e que, com algum esforço, se encontrará algum resíduo da língua portuguesa). Detalhes sem importância. A Guiné Equatorial está nos antípodas do que é a democracia. Não interessa. Detalhes sem importância. A Guiné Equatorial desrespeita visceralmente os direitos humanos. Mais uma vez meros detalhes. Não sejamos picuinhas. Obiang, o líder daquele país, vai investir no Banif com o ...

Tréguas

A violência que tomou conta de Gaza, nos territórios palestinianos, recrudesceu dramaticamente com a ofensiva terrestre israelita. O conflito israelo-palestiniano dura há décadas, esta é uma região historicamente instável e depois da torrente de vítimas ao longo dos anos, o conflito perdura. Pelo caminho as resoluções das Nações Unidas são desprezadas. Este mais recente agravamento, depois da morte de três jovens israelitas na Cisjordânia (do lado palestiniano alega-se que dois jovens palestinianos já tinham sido assassinados), Israel respondeu visceralmente. A comunidade internacional pede tréguas, sem grande ímpeto , como de resto tem sido habitual. De um lado o anti-semitismo do Hamas e a utilização de rockets, insistindo numa posição contraproducente e que dá força às acções militares israelitas, fornecendo aos israelitas um pretexto, uma razão, uma certa legitimidade; do outro, de forma esmagadora, uma espécie de colonização por parte de Israel, controlo da águas, da...