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Mensagens

O despesismo do Estado

Pedro Passos Coelho não se cansa de acusar o Estado de ser um obstáculo ao desenvolvimento do país. O líder do PSD tem a sua razão, pena é que olhe com tanta leviandade para o Estado Social e para a sua importância. A ver vamos se quando Passos Coelho chegar ao poder se não vai permitir que o Estado continue a ser despesista, afinal de contas o PSD, como o PS, tem vastas clientelas para alimentar. É mais fácil cortar na despesa social do que afligir as hostes do partido. Isto é verdade tanto para PS como para PSD. O Jornal Público dá mais um exemplo de como o Estado gasta irresponsavelmente o dinheiro dos contribuintes. Segundo o Jornal, o Estado gastou 21 milhões de euros em consultores, na área da Saúde, que não tiveram qualquer utilidade prática. Ora, a consultadoria é um negócio da China. Estudos atrás de estudos, pareceres atrás de pareceres que enchem a algibeira de alguns e que não servem para nada. Já para não falar do sub-aproveitamento dos recursos humanos do Est...

Fim dos debates

Hoje realiza-se o último debate televisivo para as eleições presidenciais. O debate põe frente a frente Manuel Alegre e Cavaco Silva. Este poderia ser o debate mais esperado, mas a verdade é que o interesse dos cidadãos parece tão reduzido que este pode muito bem ser mais um debate entre os vários que se realizaram e que não suscitaram grande interesse junto dos Portugueses. Com efeito, os poderes do Presidente da República, para muitos considerados reduzidos, a mais do que anunciada vitória do candidato Cavaco Silva e a inanidade própria dos intervenientes, a começar precisamente neste último, são factores decisivos para explicar a falta de interesse dos cidadãos. Acresce ainda a imagem cada vez mais dilacerada da própria classe política que, paradoxalmente, continua a fazer parte do rol de preferências dos cidadãos na altura de votarem. Os cidadãos queixam-se da classe política, mas muitos rejeitam a mudança e continuam a depositar a sua confiança em quem já está na pol...

Optimismo em 2011

Ser-se optimista relativamente ao ano que se avizinha é tarefa hercúlea. Esse será um ano de redução de salários, de aumento de impostos e muito provavelmente de aumento do desemprego e da pobreza. Nestas circunstâncias é manifestamente difícil ser-se optimista. Ainda assim, não se pode perder o optimismo, sob pena de se perder também a energia necessária para fazer face às dificuldades. É evidente que a situação política do país não ajuda a esse tão necessário optimismo. O Governo arrasta-se e o maior partido da oposição demonstra ter fome de poder, mas pouco mais do que isso. Sem uma clarificação política, sem um Governo estável, será muito difícil ao país sair desta intrincada situação. O ano que se avizinha é de riscos e o maior prende-se com o próprio Estado Social e com a protecção dos cidadãos, designadamente dos trabalhadores. A crise abre portas a excessos e a medidas sem retorno. Mais uma razão para os cidadãos mostrarem que não se resignam. Ora, o pessimismo de...

Austeridade e recessão

O jornal Público veicula a notícia que as medidas previstas para reduzir o défice poderão revelar-se insuficiente quando se chegar ao final do próximo ano. A razão prende-se precisamente com os impactos das medidas de austeridade. Dito por outras palavras: a recessão está no horizonte, recessão essa que terá um claro impacto nas contas públicas. O problema não é exclusivo do nosso país. O pensamento único que domina a Europa é o mesmo que dita a lei das medidas de austeridade, imbuídas de uma cegueira tecnocrata. O pensamento que acredita que os efeitos secundários da austeridade são apenas isso, efeitos secundários. A Europa há muito que deixou de ser solidária e há muito que deixou de contar com os seus cidadãos para a construção do projecto europeu. Pouco interessa reflectir sobre os impactos que essa austeridade tem na vida dos cidadãos europeus e nas economias dos Estados-membros. O que interessa é aplicar as mesmas receitas que nos trouxeram até à crise. A falta de i...

Salário mínimo

A subida anunciada do salário mínimo nacional - talvez em finais do ano que se aproxima chegue aos 500 euros - e as difíceis negociações que envolveram essa subida seriam anedóticas, não fosse o assunto ser demasiado sério. Do lado dos patrões alega-se que é incomportável subir o salário de miséria, perdão, salário mínimo, para os 500 euros. Este ano coloca-se o problema da crise, noutros existiam outros problemas, é tudo uma questão de apelar ao sentido imaginativo de cada um. Por muito que não se queira admitir, parte da nossa economia ainda assenta em baixos salários. É com salários miseráveis e terceiro-mundistas que muitas empresas fazem o seu percurso. Pouco interessa perceber que haverá sempre países com salários mais baixos do que o nosso e que o caminho faz-se do lado da qualificação dos recursos humanos. Não deixa de ser dramático falar-se em qualificação de recursos e saber que há pessoas muito qualificadas a auferir o tal salário mínimo, isto porque o mercado...

Subida da despesa na Saúde

A despesa com a Saúde sobe todos os anos e o ministério admite ser muito difícil fazer cortes sem pôr em causa os serviços. Embora todos sejamos apologistas de equilíbrios em matéria de despesa nesta e noutras áreas, não podemos ignorar que na área da Saúde será sempre muito difícil conseguir equilíbrios que noutras áreas são mais fáceis de alcançar. Com o envelhecimento da população outra coisa não seria de esperar que aumentos na despesa com a Saúde. Todavia, espera-se igualmente que essa dificuldade na redução da despesa não seja uma carta branca para a má gestão, nomeadamente para o despesismo. O rigor é essencial. Como sabemos, esse rigor fica, por vezes, relegado para segundo plano. De um modo geral, são sobejamente conhecidas as dificuldades que as finanças públicas atravessam. E é precisamente por isso que o Estado tem que assumir responsabilidades e estabelecer prioridades. Ninguém pode pensar ingenuamente que o dinheiro chegará para tudo, mas é essencial que, de ...

E depois da greve

Quase um mês após a greve geral, nada mudou. A greve - forma legítima do descontentamento dos trabalhadores - foi apenas isso: mais uma greve sem quaisquer consequências dignas de registo. O país reage praticamente letárgico a cada medida que é anunciada; os sindicatos mostram a sua habitual incapacidade de mobilizar mais do que os do costume e as manifestações não parecem tão apelativas para os sindicatos como as greves. A greve de 24 do mês de Novembro já é passado e é passado porque é conveniente que assim seja. Mas também é passado para sindicatos que insistem em viver no passado. O sindicalismo continua mais preocupando com a agenda do partido político a que está ligado do que com os interesses dos trabalhadores. De resto, tudo se torna mais grave num contexto de inércia colectiva. Veja-se o seguinte exemplo: o Estado prepara-se para injectar 500 milhões de euros no BPN, para além do que já injectou, embora o Governo continue a insistir que os contribuintes nada gast...