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O despesismo do Estado

Pedro Passos Coelho não se cansa de acusar o Estado de ser um obstáculo ao desenvolvimento do país. O líder do PSD tem a sua razão, pena é que olhe com tanta leviandade para o Estado Social e para a sua importância. A ver vamos se quando Passos Coelho chegar ao poder se não vai permitir que o Estado continue a ser despesista, afinal de contas o PSD, como o PS, tem vastas clientelas para alimentar. É mais fácil cortar na despesa social do que afligir as hostes do partido. Isto é verdade tanto para PS como para PSD.
O Jornal Público dá mais um exemplo de como o Estado gasta irresponsavelmente o dinheiro dos contribuintes. Segundo o Jornal, o Estado gastou 21 milhões de euros em consultores, na área da Saúde, que não tiveram qualquer utilidade prática. Ora, a consultadoria é um negócio da China. Estudos atrás de estudos, pareceres atrás de pareceres que enchem a algibeira de alguns e que não servem para nada. Já para não falar do sub-aproveitamento dos recursos humanos do Estado. Esta é uma forma grave de despesismo, como há tantas outras, designadamente em matéria de investimento público, nas famigeradas parcerias público-privadas, na má gestão dos recursos humanos, corrupção, compadrios locais, a lista não terá fim. Este é o despesismo do Estado.
Se Passos Coelho advogasse o fim deste despesismo precisamente para canalizar recursos para o Estado Social e para que o Estado deixasse de ser um instrumento político-partidário, estávamos muito bem. Mas não parece ser essa a ideia. Passos Coelho não promete mudanças de fundo. A ideia parece enfraquecer o Estado Social para abrir portas à avidez privada. Pouco mais do que isso. Quanto aos problemas de fundo, esses continuarão a agravar-se, à semelhança do bem-estar social.
A política tem como objectivo a defesa do bem comum. Com este PSD esse objectivo diluiu-se noutros interesses e numa ideologia que destrói precisamente esse bem comum.

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