Avançar para o conteúdo principal

Salário mínimo

A subida anunciada do salário mínimo nacional - talvez em finais do ano que se aproxima chegue aos 500 euros - e as difíceis negociações que envolveram essa subida seriam anedóticas, não fosse o assunto ser demasiado sério. Do lado dos patrões alega-se que é incomportável subir o salário de miséria, perdão, salário mínimo, para os 500 euros. Este ano coloca-se o problema da crise, noutros existiam outros problemas, é tudo uma questão de apelar ao sentido imaginativo de cada um.
Por muito que não se queira admitir, parte da nossa economia ainda assenta em baixos salários. É com salários miseráveis e terceiro-mundistas que muitas empresas fazem o seu percurso. Pouco interessa perceber que haverá sempre países com salários mais baixos do que o nosso e que o caminho faz-se do lado da qualificação dos recursos humanos.
Não deixa de ser dramático falar-se em qualificação de recursos e saber que há pessoas muito qualificadas a auferir o tal salário mínimo, isto porque o mercado de trabalho é pouco dinâmico e porque culturalmente procuramos sempre pagar o menos possível, raras vezes aproveitando as competências de quem trabalha. A ideia é invariavelmente a mesma: pagar o menos possível, pouco interessa se a pessoa em questão tem competências para mais e que essas competências seriam vantajosas para as empresas. Portugal é indubitavelmente o pais do artifício, do chico-espertismo. Não será no contexto laboral que a situação é diferente.
Nestas circunstâncias, não admira que um aumento de 10 euros do salário mínimo, numa primeira fase e 15, numa segunda, seja uma tarefa hercúlea.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...