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E depois da greve

Quase um mês após a greve geral, nada mudou. A greve - forma legítima do descontentamento dos trabalhadores - foi apenas isso: mais uma greve sem quaisquer consequências dignas de registo. O país reage praticamente letárgico a cada medida que é anunciada; os sindicatos mostram a sua habitual incapacidade de mobilizar mais do que os do costume e as manifestações não parecem tão apelativas para os sindicatos como as greves.
A greve de 24 do mês de Novembro já é passado e é passado porque é conveniente que assim seja. Mas também é passado para sindicatos que insistem em viver no passado. O sindicalismo continua mais preocupando com a agenda do partido político a que está ligado do que com os interesses dos trabalhadores. De resto, tudo se torna mais grave num contexto de inércia colectiva. Veja-se o seguinte exemplo: o Estado prepara-se para injectar 500 milhões de euros no BPN, para além do que já injectou, embora o Governo continue a insistir que os contribuintes nada gastaram com o BPN, e ainda assim a letargia é a resposta dos cidadãos.
Por conseguinte, importa sublinhar que a greve de dia 24 teve a sua importância, mas essa mesma importância vai-se desvanecendo com a inércia subsequente. A responsabilidade é também dos sindicatos que denotam um anacronismo exasperante e uma fidelidade quase canina a partidos políticos. Todavia, a responsabilidade é também de todos nós que exigimos mudanças, mas que nada fazemos para que as mesmas se concretizem. Votamos em quem corporiza os vícios e a incompetência do país; resignamo-nos e sofremos em silêncio.
Assim, podem existir centenas de greves que tudo permanecerá na mesma porque o silêncio é recorrente; os erros são recorrentes como se poderá depreender do resultado das próximas eleições presidenciais.

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