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Austeridade e recessão

O jornal Público veicula a notícia que as medidas previstas para reduzir o défice poderão revelar-se insuficiente quando se chegar ao final do próximo ano. A razão prende-se precisamente com os impactos das medidas de austeridade. Dito por outras palavras: a recessão está no horizonte, recessão essa que terá um claro impacto nas contas públicas.
O problema não é exclusivo do nosso país. O pensamento único que domina a Europa é o mesmo que dita a lei das medidas de austeridade, imbuídas de uma cegueira tecnocrata. O pensamento que acredita que os efeitos secundários da austeridade são apenas isso, efeitos secundários. A Europa há muito que deixou de ser solidária e há muito que deixou de contar com os seus cidadãos para a construção do projecto europeu. Pouco interessa reflectir sobre os impactos que essa austeridade tem na vida dos cidadãos europeus e nas economias dos Estados-membros. O que interessa é aplicar as mesmas receitas que nos trouxeram até à crise. A falta de ideias dos líderes europeus é exasperante e sintomática da tibieza da classe política.
Em Portugal, o Governo ter-se-á esquecido de contar com os impactos das famigeradas medidas de austeridade nas contas públicas. É evidente que as medidas impostas fruto da genialidade dos membros do Governo só poderiam degenerar em mais desemprego, em menos investimento, na redução da procura, em mais falências, etc. A austeridade gera recessão? Estes senhores que estão à frente do Governo são indubitavelmente uns génios. Se as tais medidas de austeridade não chegarem, o que é que se seguirá?

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