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Mensagens

Razões para a Greve

Está convocada uma greve geral para dia 24 do próximo mês. Porventura haverá quem, neste momento, não considere que existam razões para se aderir à greve, afinal de contas o cenário que nos é apresentado é o de um país com extremas dificuldades financeiras. Nestas circunstâncias, dir-se-á que o Orçamento de Estado (que será viabilizado) , e as anteriores medidas do Governo afiguram-se como sendo inevitáveis. Com efeito, a ideia de que as greves mais não são do que uma forma de prejudicar um país depauperado já tinha sido veiculada, ainda antes das puerilidades - as manifestadas esta semana - dos dois maiores partidos. Além disso, os últimos dias mostram que não há nada a fazer, a não ser aceitar as medidas difíceis. Pelo menos é esta a imagem que é transversal a toda a comunicação social. Todavia, e contrariamente ao pensamento dominante, há muito que os cidadãos podem fazer. Os cidadãos têm toda a legitimidade para participarem mais activamente na construção do país, a gre...

Retrocesso social, esse sim é inevitável

Com ou sem viabilização do OE congeminado pelo Governo de José Sócrates, há um facto que se torna evidente a cada dia que passa: muitos cidadãos deste país, demasiado cidadãos, sofrem um acentuado retrocesso do seu bem-estar social. E, mais grave, esse retrocesso vai-se aprofundar nos próximos anos. Numa altura em que PS e PSD se perdem em acusações pueris sobre um OE já por todos classificado como sendo muito mau, aos Portugueses é-lhes dito para terem paciência e para aguentarem , até porque não são os únicos - outros países adoptaram medidas de austeridade com impacto muito significativo nas vidas dos seus cidadãos. Ora,o que não nos dizem é que as nossas dificuldades já têm pelo menos 10 anos e que sem a adopção de medidas que permitam mudanças profundas, o desenvolvimento e o progresso continuarão a ser uma miragem. De igual forma, as medidas tomadas por outros países estão longe de terem produzido algum sucesso. De um lado, acenam-nos com um Orçamento de Estado con...

O falhanço das negociações

Já sabe que as negociações em torno do Orçamento de Estado (OE) entre PS e PSD falharam . Embora a decisão final do PSD ainda não seja conhecida. Contudo, aguardam-se dias de verdadeira exasperação: por um lado, com as ameaças pouco veladas de que se Orçamento não for viabilizado será o nosso fim; por outro, com o PS a vitimizar-se e a acusar o PSD de comprometer a estabilidade da economia portuguesa. Todavia, é consensual que o OE congeminado pelas mentes brilhantes do Governo é "mau", para roubar o termo a um dos patriarcas do PS. O OE do Governo, pelo menos as suas linhas gerais, é indicador das tais políticas de austeridade que vão redundar numa recessão, ou talvez até pior. É claro que não podemos dissociar essas medidas da União Europeia que combate a crise da pior maneira possível: através de cortes no investimento público e através de aumentos de impostos, já para não falar nos cortes nos salários. Embora os resultados em países como a Irlanda e a Espanha...

Apelos à resignação

São inúmeros os apelos à resignação. Desde a televisão, passando por comentadores de cartilha, culminando no comum dos cidadãos, dizem-nos que não há nada a fazer, que lá fora passa-se o mesmo ou ainda pior, e que este sistema é ainda assim o melhor. Na verdade, parte-se do pressuposto que sendo este o sistema que melhor serve os interesses dos cidadãos, o tal que permitiu o desenvolvimento dos países, não valerá a pena tentar melhorá-lo. De um modo geral, aquilo que nos pedem é para baixar os braços e para aguentar. O sistema é bom (ver crónica de João César das Neves no Diário de Notícias de 25/10/10), o que retira força aos protestos dos cidadãos. Todavia, os arautos deste sistema esquecem-se do seguinte: as grandes conquistas sociais - o melhor do sistema tão elogiado - foram conseguidas graças à mobilização dos cidadãos, aos movimentos sindicais e aos partidos de esquerda. Ou será que os arautos da resignação também esquecem que são precisamente essas conquistas socia...

Pensamento único

As medidas de austeridade que Portugal e outros países adoptaram são sintomáticas da ausência de discussão. Ora, essas medidas são apresentadas aos cidadãos como sendo inevitáveis, dispensando-se, por conseguinte, qualquer discussão sobre elas. É-nos dito que não há alternativa sem que se demonstre que assim é. Simplesmente não se discute a sua inevitabilidade. Parece haver uma espécie de pensamento único que tenta ser contrariado por alguns partidos de esquerda e pelas populações de alguns países como tem sido o caso de França. A comunicação social mais não faz do que servir de veículo desse pensamento, sem grande espaço e interesse por sugestões diferentes das que advêm do tal pensamento único. De um modo geral, a ausência de discussão sobre a receita para fazer face à crise e a inevitabilidade das medidas de austeridade são sinais de uma Europa rendida às receitas do passado e, mais grave, são sinais inequívocos de uma Europa pouco democrática, sem um espaço público de...

A revolta francesa

Sendo certo que a revolta francesa engloba tudo: desde trabalhadores descontentes a arruaceiros, as greves e manifestações que assolam a França não deixam de ser um sério motivo de reflexão. Podemos discutir se as razões que subjazem a essa revolta serão de todo compreensíveis, mas o facto é que os cidadãos franceses insurgem-se contra o retrocesso social e esse facto merece uma particular atenção quer por parte dos outros cidadãos europeus, quer por parte das longínquas instituições europeias. Esta revolta é também contra o pensamento único instalado na Europa que vai beber, em larga medida, ao Pacto de Estabilidade e Crescimento e ao pensamento económico alemão. Na Europa não se discutem alternativas, a receita já foi impingida aos cidadãos e o dogma parece inabalável, quando há pouco mais de um ano se veiculou a ideia de que era necessário combater a crise dando alguma margem ao cumprimento do referido pacto. Hoje a conversa é outra, assenta nas mesmas políticas que der...

Breve história de um Governo falhado

Tudo começa em 2005 com promessas de modernidade. O Governo eleito faz a promessa do costume: meter as contas públicas em ordem e não aumentar impostos. A primeira coisa que faz é quebrar promessas aumentando impostos. Quanto às contas públicas, consegue endividar o país acima do aceitável e reduz o défice, à custa novamente de um aumento de impostos - para deitar tudo a perder, graças à recusa em ver a crise e ao eleitoralismo mais bacoco. Pelo caminho deixa as reformas prometidas para dias melhores. No que mexe estraga, a começar na educação, recorrendo a artificialismos que nada fazem pelo os nossos maior défices: um défice na qualificação dos recursos humanos e outro défice, indissociável - o défice cultural. A Justiça continua a ser um entrave ao desenvolvimento económico e uma ofensa aos cidadãos; a burocracia continua a ser endémica e nem com planos pomposos abandona a sua natureza intrincada; a Administração Pública permanece onerosa e ineficaz. O Governo continua ...