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Mensagens

Tudo na mesma

As decisões que saíram da última cimeira do G20 reforçam aquilo que já todos perceberam: fica tudo na mesma, a vontade de encetar mudanças no modelo económico global é praticamente nula, e mais grave, é na Europa que o conservadorismo económico assente no neoliberalismo que está subjacente à crise, parece ganhar mais adeptos. É neste contexto que não causa estranheza a receita, impulsionada pela Alemanha, para a crise: medidas de austeridade que asfixiam as classes médias no sentido de reduzir défices e endividamento e nenhuma medida para reforçar a regulação e supervisão dos mercados. Dito por outras palavras: continuamos a assistir à prevalência da economia em detrimento da política – perdem os cidadãos porque perdem a sua soberania, perdem a sua voz. A medida que visava a aplicação de uma taxa semelhante à taxa Tobin caiu por terra na precisa medida em que se decidiu que cabe aos Estados aplicar ou não essa taxa que incidiria sobre a especulação e sobre o sector financeiro. É eviden...

Selecção de imigrantes

O tema ganhou importância com as declarações de um político alemão do partido da chanceler Angela Merkel. Este político afirmou que a selecção de imigrantes deve passar pela utilização de testes de inteligência. Este método de selecção foi amplamente criticada pelos partidos da oposição, mas não invalida uma discussão mais alargada sobre a imigração, designadamente sobre quotas de imigração, Quanto à forma de selecção proposta por Peter Trapp, porta-voz da União Democrata-Cristã, as críticas têm a sua razão de ser. Embora seja visível que a orientação de muitos países europeus passe pelo interesse no acolhimento de imigrantes com qualificações elevadas, devidos às necessidades actuais desses países. No entanto, chegar-se ao ponto de seleccionar em função da inteligência parece demasiado rebuscado e ambíguo do ponto de vista moral. É natural que os países procurem ajustar a entrada de imigrantes às suas necessidades laborais e é duvidoso que a relativização desse ajustamento seja profíc...

PSD à frente

É este o resultado das várias sondagens das últimas semanas: se as legislativas fossem hoje, o PSD ganharia, nuns casos muito perto da maioria absoluta, noutros nem tanto. Esta vantagem do maior partido da oposição e a descida exponencial do partido do Governo não se traduz, curiosamente, em mudanças dignas de registo – continuamos a viver no país do faz de conta; faz de conta que existem condições objectivas para Portugal sair da crise; faz de conta que os Portugueses não têm conhecido um verdadeiro retrocesso no seu bem-estar social. O PSD adoptou a estratégia de cooperação com o Governo. Assistimos a uma governação que deixou de ter apenas a marca socialista; todas as medidas são escrutinadas pelo PSD e a sua posição sobre a generalidade das matérias é determinante para a implementação das mesmas. A crise é o maior subterfúgio que pretende justificar a posição dita de responsabilidade do PSD. O risco de Portugal ter de recorrer ao FMI ou ao fundo europeu, afasta a possibilidade de n...

No sítio, na altura e com as pessoas certas

É esta a receita que continua a ser determinante para o futuro de alguns portugueses, curiosamente muitos deles ligados à política, designadamente ao partido que ocupa o poder. Muito resumidamente, o chamado trânsito de ex-governantes chegou a secretários de Estado que, após a sua passagem pelo Governo, passaram para a administração da ERSE, num caso, para administração da Anacom ou para a presidência da Cimpor noutros casos. E há ainda a passagem da inesquecível ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues que ocupa hoje o lugar de presidente da Fundação Luso-Americana ou do também ele inesquecível ex-ministro das Obras Públicas, Mário Lino que transitou para as seguradoras da CGD. É curioso verificar a mobilidade destes ex-governantes, em particular num país que se queixa da falta de mobilidade dos seus trabalhadores. Estes ex-governantes são, pois, um exemplo para o país. Pena é que as características dos cargos que agora ocupam sejam tão pouco comuns para os restantes trabalh...

Saramago

O desaparecimento de José Saramago deixou marcas indeléveis na sociedade portuguesa. Homenagens, livros esgotados e fonte de inspiração para dezenas de artigos de opinião, José Saramago continua bem vivo entre os portugueses. As cerimónias fúnebres do autor de “Memorial do Convento” ficaram marcadas pela ausência do Presidente da República. Uns afirmam que essa ausência foi pretexto para um aproveitamento descabido; outros sublinham que essa ausência é sintomática da pequenez do Presidente da República que, aparentemente, subestimou os efeitos da morte do escritor e esqueceu a sua posição de Chefe de Estado. Para além das minudências que envolveram o Presidente, que só revelaram a sua insignificância, ficou uma justa homenagem a um grande escritor português que, com a sua obra enalteceu a cultura portuguesa. Esse é, com efeito, o lado mais significativo destes dias – a obra que fica e com essa obra a imortalidade do autor. Portugal fez uma justa homenagem a um dos seus maiores escritor...

A guerra das portagens

O Governo mostrou mais uma vez a sua displicência no que diz respeito à explicação das suas medidas. É difícil explicar o facto de se passar a pagar portagens apenas no norte – é uma infeliz coincidência? Sendo certo que a introdução de portagens nas SCUTS fez parte do programa eleitoral do PS, também é evidente que essa introdução, os seus critérios e a sua localização merecem ser uma explicação aprofundada por parte do Governo, o mesmo deveria acontecer com os chips. De facto, o Governo do PS, no alto da sua arrogância, sempre pautou a sua acção política pela ausência de explicações das suas aos cidadãos e, não raras vezes, à própria Assembleia da República. Verificam-se vários problemas e não só com o Governo: no caso específico do Governo – deste e de outros no passado – os seus membros mostram algum desprezo quer pelos cidadãos, quer pelo órgão que deveria fazer a sua vigilância que é o Parlamento. Por seu turno, os cidadãos mostram-se pouco exigentes com a eleição e manutenção do...

As vozes da Europa

É sobejamente conhecida a tendência da Europa para falar a várias vozes, mas acontece o contrário no sentido económico e monetário. A Alemanha fala, determina e os restantes Estados-membros da União Europeia com maiores ou menores reticências seguem as determinações alemãs. A Europa fala agora a uma só voz, ou pelo menos a única voz audível é a da Alemanha. Curiosamente, o facto da Europa falar a uma só voz não será assim tão positiva quanto se pensaria. A voz audível da Alemanha, com a conivência de instâncias europeias, diz aos países da Zona Euro que não há alternativa às medidas de austeridade sem fim à vista. Pouco interessa que esta mesma UE – numa altura em que a voz da Alemanha não se destacou das outras – tenha, no início da crise, adoptado uma posição mais flexível em relação ao défice dos vários países; afinal de contas, era necessário agir atempadamente e coarctar os efeitos da crise. O resultado da confusão que reina nas lideranças europeias e das suas decisões titubeantes...