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A guerra das portagens

O Governo mostrou mais uma vez a sua displicência no que diz respeito à explicação das suas medidas. É difícil explicar o facto de se passar a pagar portagens apenas no norte – é uma infeliz coincidência?
Sendo certo que a introdução de portagens nas SCUTS fez parte do programa eleitoral do PS, também é evidente que essa introdução, os seus critérios e a sua localização merecem ser uma explicação aprofundada por parte do Governo, o mesmo deveria acontecer com os chips.
De facto, o Governo do PS, no alto da sua arrogância, sempre pautou a sua acção política pela ausência de explicações das suas aos cidadãos e, não raras vezes, à própria Assembleia da República.
Verificam-se vários problemas e não só com o Governo: no caso específico do Governo – deste e de outros no passado – os seus membros mostram algum desprezo quer pelos cidadãos, quer pelo órgão que deveria fazer a sua vigilância que é o Parlamento. Por seu turno, os cidadãos mostram-se pouco exigentes com a eleição e manutenção dos seus representantes, essa falta de exigência tem comprometido seriamente a qualidade dos representantes eleitos. Por outro lado, o facto da Assembleia da República ser um mostruário de partidos políticos, pouco afoito à liberdade de pensamento e pouco propenso a uma supervisão ao Governo desincentiva este ou qualquer outro Executivo a ser mais transparente com os cidadãos.
O resultado só não é pior graças à inexistência de uma maioria absoluta do Governo. Em qualquer caso, a verdade é que as explicações não são uma prioridade, deixando os cidadãos entregues ao populismo, à opacidade, ao aproveitamento político e ao oportunismo.
A questão das portagens poderá transformar-se numa guerra política com consequências imprevisíveis. Neste caso particular, o problema já se agravou de tal forma que me parece já não ser possível ser atenuado com quaisquer explicações, até porque é difícil explicar a excessiva preponderância de portagens nas SCUTs do norte.

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