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PSD à frente

É este o resultado das várias sondagens das últimas semanas: se as legislativas fossem hoje, o PSD ganharia, nuns casos muito perto da maioria absoluta, noutros nem tanto. Esta vantagem do maior partido da oposição e a descida exponencial do partido do Governo não se traduz, curiosamente, em mudanças dignas de registo – continuamos a viver no país do faz de conta; faz de conta que existem condições objectivas para Portugal sair da crise; faz de conta que os Portugueses não têm conhecido um verdadeiro retrocesso no seu bem-estar social.
O PSD adoptou a estratégia de cooperação com o Governo. Assistimos a uma governação que deixou de ter apenas a marca socialista; todas as medidas são escrutinadas pelo PSD e a sua posição sobre a generalidade das matérias é determinante para a implementação das mesmas.
A crise é o maior subterfúgio que pretende justificar a posição dita de responsabilidade do PSD. O risco de Portugal ter de recorrer ao FMI ou ao fundo europeu, afasta a possibilidade de novas eleições. Mas será que este PSD estará preparado para governar e será que não é mais confortável assistir ao desgaste do Governo e esperar por uma maioria absoluta?
Para os eleitores, a dificuldade é crescente. A bipolarização que persiste no nosso sistema político torna a tarefa dos eleitores particularmente difícil. A escolha para a generalidade será entre o liberalismo mais ou menos assumido e entre uma mescla de liberalismo disfarçado e socialismo anódino. A escolha será entre dois partidos responsáveis pelas consequências das medidas tomadas, o PSD também deverá lembrar-se disso. Todavia, a bipolarização do nosso sistema político corresponde cada vez mais a um paroxismo.

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