quinta-feira, 24 de junho de 2010

Saramago

O desaparecimento de José Saramago deixou marcas indeléveis na sociedade portuguesa. Homenagens, livros esgotados e fonte de inspiração para dezenas de artigos de opinião, José Saramago continua bem vivo entre os portugueses.
As cerimónias fúnebres do autor de “Memorial do Convento” ficaram marcadas pela ausência do Presidente da República. Uns afirmam que essa ausência foi pretexto para um aproveitamento descabido; outros sublinham que essa ausência é sintomática da pequenez do Presidente da República que, aparentemente, subestimou os efeitos da morte do escritor e esqueceu a sua posição de Chefe de Estado.
Para além das minudências que envolveram o Presidente, que só revelaram a sua insignificância, ficou uma justa homenagem a um grande escritor português que, com a sua obra enalteceu a cultura portuguesa. Esse é, com efeito, o lado mais significativo destes dias – a obra que fica e com essa obra a imortalidade do autor.
Portugal fez uma justa homenagem a um dos seus maiores escritores e também a um homem com posições controversas. Uns tentaram homenagear o escritor, outros fizeram a sua homenagem ao homem político que ainda perfilhava uma ideologia que degenerou na supressão de liberdades, na supressão do humanismo, na supressão do homem multidimensional.Apesar das contradições, o desaparecimento de José Saramago marca um país que nem sempre olha para a cultura com a importância que lhe é devida. Deste ponto de vista, o desaparecimento de Saramago e a homenagem prestada por um país que chorou a sua morte não deixa de ser um bom prelúdio para o futuro da cultura portuguesa

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