Avançar para o conteúdo principal

Um conselho à direita: não deixem passar esta oportunidade

Conselho aos dois partidos de direita: não deixem passar esta oportunidade que Ricardo Robles proporciona, desde logo porque são tão parcas as oportunidades que desperdiçar esta, mesmo sendo uma mão cheia de nada, constituiria um erro.
É certo que a história parecia incomensuravelmente melhor do que acaba por ser. Quando a sexta-feira amanheceu com a promessa de finalmente se poder atacar os partidos de esquerda, sobretudo aquele partido porventura mais exasperante, contestatário, sempre a lutar por uma outra sociedade, criou-se um mundo de expectativas.
Depois vieram os desmentidos do próprio Robles: afinal nenhuma injustiça havia sido praticada pelo vereador bloquista, designadamente contra os arrendatários. Sobra a tese da especulação imobiliária e para que essa tese seja de facto consistente, vamos esquecer o facto de se tratar de um imóvel com dois proprietários, o que implica avanços e recuos e tentativas de se chegar aos tão difíceis consensos. Esqueçamos isso, evite-se tocar nesse particular. Acuse-se o Robles de incoerência ideológica, da tal especulação que é tão amada pela direita, mas que agora vamos fingir que é instrumento do Diabo, sobretudo se praticada por alguém de esquerda. Finjamos que o vereador que viabiliza a actual solução camarária cometeu um crime de lesa-pátria, mesmo tendo adquirido o imóvel em 2014 quando o cenário imobiliário era diametralmente oposto ao que se verifica hoje. E se for necessário insinue-se que o Robles têm a capacidade de ver o futuro.
Aproveitem meus amigos, sobretudo os de direita. Esta caiu do céu e embora fraquinha, nós estamos cá para tudo empolar. Afinal de contas mais vale uma mão cheia de nada de um partido de esquerda do que nos obrigarem a exercícios de reflexão sobre os partidos de direita. Aponte-se o dedo aos Robles deste país. Firme e hirto, sem titubear.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...