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O maior desafio da Europa

Há uns escassos quatro anos atrás dir-se-ia que o maior desafio da União Europeia seria a crise económica. Hoje dir-se-á que o maior desafio da Europa é a questão das migrações.
É evidente que o problema económico não desapareceu, encontrando-se apenas adormecido, à espera que uma nova crise financeira o acorde. Quanto à problemática das migrações, a UE está apenas a pagar a factura de ter contribuído para a instabilidade de Estados como a Síria e a Líbia, assim como paga também a factura de ter apostado durante décadas numa política de integração acéfala e desregulada, tratando os imigrantes com um misto de paternalismo e permissividade, criando amiúde desigualdades na forma de tratamento entre cidadãos. O resultado, como não podia deixar de ser, está à vista: endurecimento das políticas migratórias, a criação e leis cujo o alvo é especifica e unicamente os imigrantes e toda uma deriva xenófoba.
Nem a propósito, o New York Times (NYT) ofereceu aos seus leitores uma reportagem sobre as propostas de lei com a finalidade de regular a vida dos imigrantes que vivem na Dinamarca, designadamente em guetos, e como exemplo o NYT debruça-se sobre a lei que obriga as crianças do gueto, desde tenra idade, a serem separadas das famílias e a frequentarem aulas obrigatórias para a aprendizagem dos valores dinamarqueses - 25 horas por semana. Quem não o fizer corre o risco de perder os apoios sociais.
Paralelamente, o NYT sublinha a dificuldade que a Dinamarca tem tido ao longo de décadas precisamente neste processo de integração e chama a atenção para as assinaláveis concentrações de imigrantes em determinadas regiões com elevados níveis de desemprego e de criminalidade. O NYT sublinha também que a palavra "integração" é cada vez mais coisa do passado, e o que resta são propostas que visam uma pena de prisão de 4 anos para os pais imigrantes que forcem os seus filhos a fazerem visitas aos seus países de origem, naquilo que é considerado "viagem de reeducação"; ou medidas no sentido de possibilitar às autoridades locais uma vigilância mais apertada das famílias dos guetos; ou ainda outras sugestões, entretanto descartadas, que preconizavam a possibilidade de recolher obrigatório ou a utilização de pulseiras electrónicas.
Ora, importa fazer uma profunda reflexão e tentar perceber como é que chegámos aqui. Importa não relevar as políticas adoptadas no passado e que resultaram num laxismo, num relativismo e até num desinteresse indisfarçáveis. O resultado está à vista de todos: o regresso a um passado que muitos não julgavam ser possível regressar e em que as palavras "direitos humanos" nada valiam.

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