Avançar para o conteúdo principal

Trump e o seu estilo de vida

Depois de um mês trágico para a democracia americana, sabe-se agora que os passeios de Trump já custaram mais do que Obama gastou durante todo um ano, ou seja mais de 10 milhões de dólares. Trata-se de dinheiro gasto em três fins-de-semana mais os custos associados à segurança. Fala-se de um estilo de vida "inusitadamente elaborado". Dir-se-ia que a democracia tem custos, mas nem esses custos podem ser tão elevados (um mês desde a tomada de posse), nem Trump faz o que quer que seja pela democracia, bem pelo contrário.
Entre alguns dos detalhes deliciosos foi conhecida a despesa do Estado de Nova Iorque para proteger a Trump Tower (onde vive a primeira-dama e um filho): 500 mil dólares por dia.
Haverá sempre quem considere esta notícia mais um ataque à Administração Trump e, por cá, também existem os que consideram que Trump é uma vítima da comunicação social, do poder económico, do poder político, do "establishment". Os ataques à democracia, os ataques aos direitos humanos, o retrocesso sem precedentes e um Presidente e seus acólitos verdadeiramente amadores, não parece causar qualquer espécie de inquietação. O mal, claro está, reside na comunicação social - inimiga do povo americano.

Não deixa de ser irónico saber que entre aqueles que votaram Trump, estarem os alinhados com o movimento Tea Party, que faz dos gastos excessivos do Estado Federal uma das suas bandeiras. 

Comentários

Carlos Pires disse…
Politicamente ele faz lembrar aquele atleta que foi aos Jogos Olímpicos e quase não sabia nadar: os outros atletas sorriem e o público ri à gargalhada. Mas depois começam as diferenças: apesar de "nadar" mal ele consegue chegar primeiro que os outros. Contente com a vitória não reconhece que precisa de melhorar e aprender, diz que os outros é que não percebem nada de "natação". E nada indica que vá mudar.

Mensagens populares deste blogue

Amazónia: o anúncio de um crime

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, anunciou que entregará a Amazónia para exploração de empresas norte-americanas. Esta ideia contém em si mesma um mundo de perigos; este anúncio vem na sequência de promessas eleitorais, ou seja, quem votou em Bolsonaro votou nisto. E o que é isto? Será um verdadeiro atentado contra o planeta ou alguém acredita que bons samaritanos preparam-se para explorar, perdão preservar, a floresta  amazónica? Ou alguém está convencido de que os americanos estão interessados numa qualquer outra coisa que não o lucro, rápido e em abundância? De resto é essa a essência do capitalismo, ou será que no entendimento de Bolsonaro o capitalismo é também outra coisa? Como o nazismo é.
Mas o Presidente brasileiro vai mais longe, para além de dar aos americanos a exploração, o que levanta outras questões que se prendem com os próprios recursos brasileiros e a ingerência externa para deitar a mão a esses recursos, promete rever as demarcações indígenas. Es…

Fascismo

A palavra, o conceito, a ideia, são considerados por muitos coisa de um passado que já não regressa. Tudo terá morrido na primeira metade do século passado. E apesar de alguns governos, sobretudo na Europa, adoptarem o fascismo como base de governação, a UE continua existindo como se nada fosse, como se nada fosse consigo. Viktor Órban, primeiro-ministro da Hungria, e o seu partido Fidesz, aprovaram uma medida que visa criminalizar quem preste auxílio a imigrantes sem documentos e assim acabar com o trabalho das ONG. Se isto não é fascismo não sei o que será. Recorde-se que este é apenas um dos muitos atropelos do Governo de Órban aos Direitos Humanos e que a família europeia a que Órban pertence remete-se, uma vez mais, ao silêncio. Essa família é o Partido Popular Europeu. Em Itália, o ministro do Interior, o execrável Matteo Salvini, quer recensear os ciganos para expulsar os estrangeiros, mais uma lista, adiantando ainda que "quanto aos ciganos italianos, talvez t…

O maior desafio da Europa

Há uns escassos quatro anos atrás dir-se-ia que o maior desafio da União Europeia seria a crise económica. Hoje dir-se-á que o maior desafio da Europa é a questão das migrações.
É evidente que o problema económico não desapareceu, encontrando-se apenas adormecido, à espera que uma nova crise financeira o acorde. Quanto à problemática das migrações, a UE está apenas a pagar a factura de ter contribuído para a instabilidade de Estados como a Síria e a Líbia, assim como paga também a factura de ter apostado durante décadas numa política de integração acéfala e desregulada, tratando os imigrantes com um misto de paternalismo e permissividade, criando amiúde desigualdades na forma de tratamento entre cidadãos. O resultado, como não podia deixar de ser, está à vista: endurecimento das políticas migratórias, a criação e leis cujo o alvo é especifica e unicamente os imigrantes e toda uma deriva xenófoba.
Nem a propósito, o New York Times (NYT) ofereceu aos seus leitores uma report…