quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Contradições

Já se sabia que Marcelo Rebelo de Sousa não estava nada habituado a contraditório. Foram muitos anos de conversa prazenteira e inconsequente com uma Judite ou entrevistador similar. Todavia, não deixa de ser surpreendente ver Marcelo afundar-se nas suas próprias contradições. O debate com Marisa Matias teve esse condão.
Se por um lado, os anos de televisão permitiram que o Professor ganhasse uma visibilidade inaudita, em larga medida devido a tanta vacuidade; por outro, esses mesmos anos contribuíram para uma acentuada exposição de algumas posições que, se fosse possível, o Professor gostaria de esquecer, pelo menos até às eleições.
Essas contradições abrangem temas como a saúde, o sistema financeiro, a aprovação do anterior governo e até a acção do Tribunal Constitucional. Hoje essas posições podem custar votos, sobretudo quando é necessário conquistar algum espaço ao que resta do centro e à esquerda.
Confrontado com algumas das suas contradições, Marcelo fica limitado ao sorrisos e quando de facto abre a boca para responder sai-lhe invariavelmente um pequeno conjunto de frases inconsequentes.

A estratégia é de resto essa: sorrir, cingir-se ao simplismo e esperar que o dia 24 chegue o mais rapidamente possível. Existe uma multiplicidade de candidatos pouco ou nada interessantes, reconheço. Mas daí a premiar-se a vacuidade, a falsidade e a hipocrisia vai uma longa distância. Será mesmo isto que queremos para a Presidência? Depois de Cavaco Silva não seria expectável uma escolha mais assertiva? Talvez não. A comunicação social já escolheu há muito o Presidente, e nós, parte significativa e talvez suficiente, limita-se a corroborar essa escolha.

1 comentário:

Paulo Santos disse...

Subscrevo totalmente!