quarta-feira, 20 de maio de 2015

Mais um relatório

O FMI, essa instituição tão conceituada, publicou mais um relatório de análise à situação de Portugal, um relatório deliberadamente ignorado pelo ministro da Economia, Pires de Lima, doravante conhecido como o "optimista", sobretudo em vésperas de eleições. Um relatório, uma reacção, uma verdadeira amálgama de disparates.
No seu relatório o FMI congratula-se com o sucesso do programa de ajustamento, mas ainda assim não traça o cenário optimista de acordo com os anseios dos partidos da coligação. Mas como o mesmo FMI não sabe fazer outra coisa do que elogios ao ajustamento, é referida a necessidade de proceder à aplicação de mais austeridade. Como? É possível? Para esta gente é sempre possível. Senão vejamos: ao invés de se aumentar o salário mínimo, devido ao fantasma da competitividade e até porque Portugal vai no bom caminho da desvalorização salarial, à moda chinesa, sugerem-se medidas assistencialistas como a atribuição de um "crédito fiscal" às famílias mais pobres; refere-se também a necessidade de despedir mais funcionários públicos e implementação de mais reformas estruturais sobretudo no mercado laboral; propõe-se a suspensão de reformas antecipadas e defende-se a necessidade de maiores contribuições - alegadamente estes senhores andam preocupados com a sustentabilidade da Caixa Geral de Aposentações. O relatório sugere também mais cortes na Educação, em especial com despedimentos de professores, e cortes das pensões e salários.
E para aqueles que gostam de dar o exemplo da Grécia, esse país caído em desgraça por culpa da escolha democrática do seu povo, importa referir que o Governo do Syrisa propôs uma redução do IVA dos actuais 23 por cento para uns 15 por cento (e 18 por cento para pagamentos a dinheiro). E os credores parece estarem dispostos a aceitar.
Voltando ao relatório, o FMI teme ainda que o milagre das exportações possa não ser sustentável. Ou seja más notícias para um Governo que não propriamente uma forte linha de argumentação consonante, naturalmente, com a realidade.


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