
O ano que se aproxima traz novas eleições, estas mais importantes para o futuro do regime. As eleições presidenciais que se aproximam vão ditar se o regime se mantém inalterável ou não.
Angola continua a ter claras dificuldades em lidar com os mais básicos princípios democráticos, designadamente a liberdade de expressão e de imprensa. O regime não resiste à tentação de exercer um controlo absoluto dos principais órgãos de comunicação social. De resto, alguns órgãos de comunicação social portugueses sabem bem o que significa criticar o regime – as consequências dessas críticas são imediatas.
As mudanças que Angola tanto necessita passam, claro está, pelo respeito integral pelas liberdades dos cidadãos. A democracia continua a ser o melhor palco para o desenvolvimento dos países e para a redistribuição de rendimentos – outro problema grave do país.
É um exercício dispensável enumerar as inúmeras riquezas deste país africano, mas por outro lado, não é demais salientar o fosso que separa uma minoria ligada aos negócios e ao regime e que usufruem das riquezas do país, e de uma vasta maioria de Angolanos que continuam a viver à revelia dessas vastas riquezas. A desigualdade não é um bom augúrio para a estabilidade e crescimento do país. Essa é uma mudança que vai levar tempo, restando apenas saber se é exequível durante a vigência do actual regime. Em conclusão, as eleições decorreram num clima de relativa normalidade, embora a UNITA invoque a existência de irregularidades. Venceu o partido que detém a mais poderosa máquina e que exerce sobre os principais órgãos de comunicação social uma pressão e domínio inquestionáveis. Mas apesar de tudo, Angola deu um sinal positivo com estas eleições
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