
Se por um lado, alguns analistas duvidam da concretização de uma acção militar israelita contra o Irão, sem o apoio norte-americano; por outro, muitos analistas têm reiterado a possibilidade desse ataque ocorrer muito brevemente, mesmo sem o apoio incondicional dos EUA.
Com efeito, a Administração Bush já tem dificuldades em lidar com o Afeganistão e com o Iraque, dispensando assim um terceiro conflito. Além disso, o enfraquecimento dos Estados Unidos, designadamente da actual Administração, é um elemento central a ter em conta nesta questão. Aliás, foi essa tibieza americana, associada ao desvanecimento da ameaça iraquiana, que permitiu ao Irão procurar, quase instantaneamente, a hegemonia regional – a capacidade nuclear facultar-lhe-á essa hegemonia regional, em desfavor de Israel e dos Estados Unidos.
O cenário de um ataque perpetrado por Israel a instalações nevrálgicas iranianas é plausível. Ainda no ano passado, Israel terá atacado instalações sírias. A questão é saber quando e se isso será feito à revelia dos EUA. A possibilidade de Israel excluir o seu maior aliado é remota, mas uma participação mais contundente dos EUA também poderá ser muito pouco provável.
De igual modo, um novo conflito no Médio Oriente poderia ter resultados catastróficos, e as ameaças iranianas de inviabilização do estreito de Ormuz (40 por cento do petróleo passa por este estreito) constituem mais razões para se continuar a insistir na via diplomática de modo a solucionar o problema. Todavia, essa via poderá não surtir os efeitos necessários, e é igualmente possível que as autoridades israelitas não estejam dispostas a esperar mais. Em última análise, trata-se disso mesmo – da sobrevivência de Israel. E todos sabemos que quando a questão é sobreviver, todos os meios são válidos.
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