
Ora, o diagnóstico já foi feito há muito tempo – a educação é indissociável do desenvolvimento e do progresso. E disso são exemplos os países mais ricos e mais equitativos da Europa. Todavia, os candidatos sociais-democratas abstêm-se de fazer deste problema um tema central das suas campanhas. Talvez isso se explique porque o tema está gasto, ou porque não há soluções ou até mesmo porque estes candidatos têm outras prioridades que não passam pela educação.
Prefere-se assim discutir a universalidade ou não do sistema nacional de saúde, discussão essa que é marcada pela superficialidade dos argumentos e pela insipiência dos projectos; prefere-se falar de economia até à exaustão e discutir quem estará em melhores condições para discutir o lugar de primeiro-ministro com o Eng. José Sócrates. Pelo meio, a campanha resume-se a acusações mútuas e a querelas mal disfarçadas.
Dir-me-ão que esta é uma campanha de cariz interno com o objectivo de se determinar quem será o escolhido para liderar o partido. Mas a verdade é que quem sair vencedor destas eleições vai ser o líder do ainda maior partido da oposição em condições de disputar as eleições legislativas e não só. E nestas circunstâncias é importante perceber que ideias têm os candidatos para um assunto que determinará as condições que o país pode ou não ter para atingir o tão almejado progresso.
Não valerá a pena centrar o discurso apenas no estado da economia quando a mesma não pode contar com recursos humanos qualificados. Nem tão pouco valerá a pena discutir a consolidação democrática se a mesma é posta em causa pela quase ausência de uma sociedade civil dinâmica e participativa.
De resto, quando se abdica da qualidade da educação, em nome de uma filosofia falaciosa que promove o facilitismo e premeia a ignorância, está-se a comprometer irresolutamente o futuro do país. E é exactamente isso que o Governo tem vindo a fazer.
De um modo geral, os candidatos do PSD estão a desperdiçar uma oportunidade de ouro de criticarem as políticas falhadas e comprometedoras do actual Governo em matéria de educação e cultura e de, simultaneamente, apresentarem propostas alternativas às políticas do Executivo de José Sócrates. O tema que já foi prioridade e até paixão merecia melhor sorte. Do mesmo modo, a cultura, sempre relegada para um segundo plano é simplesmente ignorada por todos os candidatos. Seja como for, enquanto ignorarmos a importância destes dois pilares do desenvolvimento, estamos simplesmente a comprometer o futuro dos cidadãos. Sem uma forte qualificação dos recursos humanos – com qualidade e não abdicando da importância da cultura – não haverá investimento de qualidade, não haverá inovação e a economia dificilmente será competitiva.
A melhoria da qualidade de vida dos cidadãos é assim posta em causa, com o inevitável retrocesso das condições de vida dos mesmos. A pobreza, a estagnação e a exclusão social serão naturalmente realidades cada vez mais evidentes. Será que os candidatos à liderança do maior partido da oposição ainda não perceberam isso? Ou será que não têm propostas melhores do que aquelas que têm feito escola no Partido Socialista. É difícil acreditar nesta possibilidade.
Comentários