
Dmitri Medvedev sucede a Vladimir Putin na presidência russa. De facto, isso confirmou-se nas eleições decorridas no passado fim-de-semana, mas a realidade não se coloca de forma tão simplista. Medvedev sucede a Putin, mas o ainda Presidente russo prepara-se para ocupar o lugar de primeiro-ministro, o que justifica as análises que indicam um poder bicéfalo.
Vários observadores internacionais consideraram que as eleições não decorreram no plano mais democrático, havendo mesmo suspeições de coacção. De igual forma, a oposição praticamente não existiu, e a que foi a votos com Medvedev, estava, digamos assim, domesticada. Apesar de existir uma verdadeira oposição ao partido de Putin e ao recém-eleito presidente Medvedev, as regras foram claramente dificultadas para que essa oposição estivesse ausente das eleições. Por conseguinte, existe uma oposição ao partido de Putin, apesar de anódina e com pouca expressão, ela existe.
Discute-se agora o futuro da governação russa. São muitos os cenários, e mesmo algumas ténues esperanças que Medvedev modere as suas políticas, em particular no que diz respeito à política externa que foi manifestamente endurecida por Vladimir Putin, que opta reiteradamente por uma retórica belicista e chantagista. Embora poucos acreditem numa mudança a curto e médio prazo na Rússia, até porque Putin vai continuar ligado ao poder, essa hipótese não é totalmente excluída. Com efeito, o futuro, a partir de Maio, altura em que o novo Presidente entra em funções, é, em muitos aspectos, uma incógnita.
Medvedev conquistou um resultado esmagador porque está indissociavelmente ligado ao ainda Presidente Putin. Na verdade, Putin conseguiu, à custa das liberdades, é certo, restaurar a ideia de grandeza da Rússia, e além disso, os russos têm hoje um melhor nível de vida do que nos anos de Ieltsin. Importa relembrar que os anos subsequentes ao desmoronamento da URSS foram particularmente difíceis para os russos que, a par de sentirem numa posição relativamente humilhante, experimentaram enormes dificuldades económicas num país cuja economia também desmoronou.
Putin instaurou uma democracia longe do conceito ocidental de democracia, em que os meios de comunicação social estão nas mãos do Estado, apostou na energia como vantagem estratégica e, até certo ponto, económica, e não menos importante, restaurou o orgulho dos russos.
Resta saber o que vai sair desta divisão do poder entre o recém-eleito Medvedev e o futuro primeiro-ministro, Vladimir Putin. Interessa sobretudo à Europa saber o resultado dessa divisão de poder. Europa que também nesta questão encontra amiúde divisões que só prejudica a União Europeia no seu conjunto, dando um pouco uma imagem de tibieza; importa fundamentalmente à União Europeia encontrar uma forma, em conjunto, de lidar com a nova liderança russa – menos temperamental, espera-se. As necessidades energéticas da UE têm condicionado sobremaneira as decisões no seio da União. Por outro lado, e finalmente, a Europa não fica bem na fotografia das reminiscências da guerra-fria, funcionando quase como um outsider. Também aqui espera-se um Presidente Russo mais moderado e mais conciliador – o actual contexto geopolítico, porém, contraria a possibilidade do futuro Presidente Russo optar por posições mais moderadas. A Rússia vai continuar a lutar pelo seu lugar de destaque num mundo que se afigura cada vez mais multipolar.
Vários observadores internacionais consideraram que as eleições não decorreram no plano mais democrático, havendo mesmo suspeições de coacção. De igual forma, a oposição praticamente não existiu, e a que foi a votos com Medvedev, estava, digamos assim, domesticada. Apesar de existir uma verdadeira oposição ao partido de Putin e ao recém-eleito presidente Medvedev, as regras foram claramente dificultadas para que essa oposição estivesse ausente das eleições. Por conseguinte, existe uma oposição ao partido de Putin, apesar de anódina e com pouca expressão, ela existe.
Discute-se agora o futuro da governação russa. São muitos os cenários, e mesmo algumas ténues esperanças que Medvedev modere as suas políticas, em particular no que diz respeito à política externa que foi manifestamente endurecida por Vladimir Putin, que opta reiteradamente por uma retórica belicista e chantagista. Embora poucos acreditem numa mudança a curto e médio prazo na Rússia, até porque Putin vai continuar ligado ao poder, essa hipótese não é totalmente excluída. Com efeito, o futuro, a partir de Maio, altura em que o novo Presidente entra em funções, é, em muitos aspectos, uma incógnita.
Medvedev conquistou um resultado esmagador porque está indissociavelmente ligado ao ainda Presidente Putin. Na verdade, Putin conseguiu, à custa das liberdades, é certo, restaurar a ideia de grandeza da Rússia, e além disso, os russos têm hoje um melhor nível de vida do que nos anos de Ieltsin. Importa relembrar que os anos subsequentes ao desmoronamento da URSS foram particularmente difíceis para os russos que, a par de sentirem numa posição relativamente humilhante, experimentaram enormes dificuldades económicas num país cuja economia também desmoronou.
Putin instaurou uma democracia longe do conceito ocidental de democracia, em que os meios de comunicação social estão nas mãos do Estado, apostou na energia como vantagem estratégica e, até certo ponto, económica, e não menos importante, restaurou o orgulho dos russos.
Resta saber o que vai sair desta divisão do poder entre o recém-eleito Medvedev e o futuro primeiro-ministro, Vladimir Putin. Interessa sobretudo à Europa saber o resultado dessa divisão de poder. Europa que também nesta questão encontra amiúde divisões que só prejudica a União Europeia no seu conjunto, dando um pouco uma imagem de tibieza; importa fundamentalmente à União Europeia encontrar uma forma, em conjunto, de lidar com a nova liderança russa – menos temperamental, espera-se. As necessidades energéticas da UE têm condicionado sobremaneira as decisões no seio da União. Por outro lado, e finalmente, a Europa não fica bem na fotografia das reminiscências da guerra-fria, funcionando quase como um outsider. Também aqui espera-se um Presidente Russo mais moderado e mais conciliador – o actual contexto geopolítico, porém, contraria a possibilidade do futuro Presidente Russo optar por posições mais moderadas. A Rússia vai continuar a lutar pelo seu lugar de destaque num mundo que se afigura cada vez mais multipolar.
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