
A situação do território, ocupado desde 1967 pelos israelitas, é cada vez mais difícil. As dissenções nos territórios palestinianos e os ataques contra Israel isolaram e estão a condenar a Faixa de Gaza a uma tragédia humanitária. Recorde-se que o Hamas continua a exercer o seu poder na Faixa de Gaza, e a Cisjordânia está sob domínio da Autoridade Palestiniana (AP). Sublinhe-se também que a pretensa legitimidade conseguida pelo Hamas nas eleições, que lhes permitiu chegar ao poder, perde toda a sua força perante o recurso insistente ao terrorismo contra o povo hebraico.
As Organizações Não-Governamentais a trabalhar no terreno avisam para o perigo de catástrofe humanitária neste território palestiniano. O bloqueio da população agrava a já insustentável situação em Gaza: a pobreza é endémica, a acesso a bens de primeira necessidade é complexo, muitos palestinianos que trabalhavam em Israel estão impedidos de o fazer e o desemprego ronda os 40 por cento.
O problema que se coloca é a direito à defesa de Israel versus as necessidades humanitárias de uma população isolada. Com efeito, o bloqueio é consequência directa dos ataques perpetrados pelo Hamas contra alvos israelitas e, embora várias organizações internacionais peçam o levantamento do bloqueio, a posição de Israel mantém-se inamovível.
Enquanto o Hamas recorrer ao terrorismo e usar a sua própria população para alcançar os seus intentos, dificilmente Israel abandonará a sua actua política para este território palestiniano. Os recorrentes disparos de rockets, oriundos de Gaza, são uma ameaça constante ao território israelita.
Com este pano de fundo, impõe-se a seguinte questão: é possível sair-se deste impasse? A solução não é fácil. Ora, não será fácil Israel regressar às fronteiras anteriores a 1967, abandonando por completo os territórios ocupados, e promovendo a criação efectiva de um Estado Palestiniano. Nem tão-pouco será fácil conseguir afastar o Hamas do poder, que apoia a sua acção com base numa pretensa legitimidade política que a população dá a este movimento terrorista – uma metamorfose da natureza do movimento situa-se, para já, no plano do utópico.
O que estará em causa, por parte dos israelitas, é a sua própria sobrevivência que condiciona tudo o resto. Do lado palestiniano, existem duas perspectivas, com significativa expressão política: a Autoridade Palestiniana, de Mahmoud Abbas, o actual Presidente, que escolhe caminhos mais moderados, longe do extremismo, mais próximo do diálogo com Israel, e o Hamas que é, em muitos aspectos, a antítese da AP – escolhe a violência e o terrorismo apoiados numa pretensa legitimidade eleitoral.
De resto, tudo permanecerá na mesma enquanto não se procederem a cedências de ambas as partes: do lado palestiniano impera a necessidade de uma mudança estratégica que implique a fim do terrorismo; do lado israelita, a coexistência com um Estado Palestiniano terá de ser uma realidade. Entretanto, e porque tudo isso está longe de se concretizar, o povo de Gaza vai continuar a viver na mais abjecta degradação e o povo israelita na mais ignóbil insegurança. Importa, contudo, referir que o culpado pela situação do povo de Gaza começa por ser, desde logo, o Hamas.
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