sábado, 5 de janeiro de 2008

Ainda a lei do tabaco

A lei que proíbe fumar em locais públicos fechados tem tido a característica peculiar de trazer à discussão o fundamentalismo das opiniões. Tanto por parte de alguns fumadores, como por parte de quem não fuma, verifica-se todo o tipo de radicalismos. Quem fuma e não está satisfeito com a lei, recorre a argumentos que postulam a tese das liberdades dos fumadores, não obstante a colisão entre as liberdades de uns e as liberdades de outros. Quem não fuma está genericamente satisfeito com a lei, mas ao invés de se ficar por uma satisfação mais ou menos discreta, prefere recorrer a exercícios de exultação absolutamente desnecessários.
Sendo certo que a lei é, na sua generalidade, difícil de contestar, não é menos verdade que a aplicação da mesma não tem (ainda) permitido que os fumadores possam exercer um direito seu com o mínimo de dignidade, sem prejuízo de outrem. Não se pode tratar estes cidadãos de forma diferente, como se de repente, os mesmos deixassem de ter a mesma dignidade do que os outros. E mais: este tratamento desigual agrada a um conjunto de cidadãos a quem não chega respirar ar puro, é preciso também regozijar-se com as condições menos dignas em que os fumadores exercem um direito seu.
Ao invés de se procurar equilíbrios, sempre desejáveis, entre quem não fuma e quem fuma, designadamente através de pequenas alterações que permitam os fumadores poderem estar a salvo da chuva, por exemplo, prefere-se ignorar ou pior, exultar as condições menos dignas que têm sido impingidas aos fumadores.
De igual modo, tem-se assistido a uma divisão na sociedade portuguesa entre quem defende uma perspectiva e entre quem defende outra. Parece que somos incapazes de aceitar as alterações com normalidade, podendo eventualmente sugerir alterações ou recomendações, preferimos antes perder a sensatez fazendo amiúde observações descabidas. Senão vejamos: quando se olha para um conjunto de cidadãos que tem um determinado comportamento e se procura a todo o custo relegá-los para uma espécie de ostracismo, argumentando por exemplo, que os impostos pagos (neste caso do tabaco) por esses cidadãos devem ser elevados precisamente para o tratamento de doenças relacionadas com esse comportamento, está-se inadvertidamente a abrir um grave precedente: o mesmo se poderá então passar com a obesidade, com o consumo de álcool e por aí fora. Seria de uma enorme proficuidade que se recuperasse o bom senso e os tais equilíbrios entre os direitos de uns e os direitos de outros, sem prejuízo de ninguém.

2 comentários:

sonia disse...

Gostava muito de comentar este texto, mas com medo de represálias de uns... prefiro apenas dizer que um cérebro saudável não se encontra numa floresta!

HP disse...

Sabes bem que sou totalmente de acordo com esta lei, porque se eu não quero fumar não tenho que fumar o dos outros. Mas haver quem se sinta feliz por ver os fumadores terem que sofrer (apanhar frio e chuva) para poderem fazer aquilo que gostam... acho uma estupidez, para não dizer mais!

PS: Sonia: Não percebi essa da floresta!