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Estatuto do aluno e o fracasso da educação

A Educação corresponde ao maior fracasso ocorrido em Portugal nas últimas décadas, quanto a isso não restarão quaisquer dúvidas. Agora ficamos boquiabertos com a medida, já aprovada no parlamento, que se traduz pelo seguinte: as faltas justificadas ou injustificadas vão deixar de ter significado prático. Ora, é a própria escola que perde importância – quando na mente de muitos nunca foi verdadeiramente importante. Este estatuto do aluno é mais um paradigma do fracasso da Educação e da displicência do ministério, recorre-se, pois, a um velho artificio: leva-se a cabo tentativas de escamotear a verdade, ignorando por completo a qualidade do ensino em Portugal.
Na verdade, a dita qualidade de ensino tem sido uma parente pobre do próprio ensino, ou dito de outro modo, a qualidade de ensino é relegada para um segundo plano. Procura-se a qualquer custo melhorar as vergonhosas estatísticas sobre a Educação em Portugal – a fraca qualificação dos recursos humanos, os recorrentes insucessos em disciplinas como o Português e a Matemática e as elevadas taxas de abandono escolar incomodam o Governo que, displicentemente, lida com o assunto através da aplicação de políticas incipientes e obtusas.
O caso concreto do estatuto do aluno pressupõe uma mudança no próprio conceito de escola e da sua importância. Com efeito, comete-se um erro de gravíssimas consequências: a escola acabou de perder a pouca autoridade que ainda mantinha, e a actual ministra poderá regozijar-se com o facto de poder ficar na história como a governante que deu a última machada na autoridade da escola. Porém, o próprio conceito de autoridade tem sido encarado como sendo negativo para uma escola que se pretende igualitária e que utiliza o facilitismo como forma de manter os alunos na escola, sob a premissa profundamente errada de que todos os alunos são iguais e devem ser tratados de igual forma.
Mas a História será justa para a ministra e não ignorará igualmente o modo como esta cultivou antagonismos, semeou a discórdia, e desvirtuou a imagem dos professores. Note-se que esta cultura de antagonismos e confrontos prejudicou não só a imagem de uma classe profissional que merecia um tratamento digno, mas condenou igualmente a pouca autoridade que restava à escola; a deturpação da imagem dos professores tem impacto numa sociedade que não está habituada a reconhecer a importância e mérito dos outros – não são só os alunos que perderam o respeito pelos professores, é também uma sociedade que tem sido moldada por governantes irresponsáveis e sem um resquício de qualquer visão estratégica.
A Educação fracassou, é um facto. Mas continuamos a cavar um buraco cada vez mais fundo para enterrar de vez a Educação. E há muito boa gente com jeito para coveiro (com o devido respeito pela profissão).

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