Avançar para o conteúdo principal

Ota ou Alcochete?


A resposta permanece uma incógnita, mas de uma coisa podemos estar certos: o processo de decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa foi conduzido de forma absolutamente atabalhoada. Consequentemente quando se fala do novo aeroporto é inevitável não referir a trapalhada levada a cabo pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino. Independentemente da localização, cuja sustentação é técnica, a forma como o processo foi conduzido deu-nos a conhecer um mau político – o ministro Mário Lino.
Agora a polémica reacendeu-se com um estudo sobre o traçado do futuro TGV apresentado pela Rave. Este estudo indica uma alternativa ao traçado que faz parte do estudo da CIP. As reacções não se fizeram esperar: o Governo é acusado de tentar deturpar o estudo da CIP que propõe Alcochete como localização para o aeroporto. O presidente da CIP e o presidente da Associação Comercial do Porto alegam que o Governo tem como intenção manter a obstinada localização da Ota, não obstante os estudos que apontam para outras localizações.
Não se pretende aqui discutir qual é a melhor localização para o novo aeroporto, até porque ainda se aguarda a conclusão do estudo do LNEC. O que está em causa em todo este intrincado processo da futura localização do aeroporto é a acção do Governo. Trata-se de uma decisão de incomensurável importância para o país: a localização do aeroporto é uma decisão estratégica que terá consequências nas próximas décadas. Por outro lado, a questão financeira interessará a muitos portugueses que ouvem a classe política reiterar as dificuldades que o país atravessa como se os cidadãos deste país estivessem alheados dessas dificuldades, muito pelo contrário, são eles que sentem diariamente uma multiplicidade de contrariedades. A começar pela dificuldade em conseguir viver condignamente até ao fim de cada mês.
Importa relembrar que a acção do ministro tem-se revestido de atitudes e discursos bacocos e incoerentes – a afirmação de que a Margem Sul é um deserto foi o zénite dessa bacoquice. Ora, todos já terão percebido que o Governo não estará disposto a mudar a localização do futuro aeroporto; o ministro sempre manifestou profunda intransigência nesse particular, na óptica deste governante a decisão, boa ou má, já estava tomada e era a Ota. Entretanto surgiram indicadores e posteriormente estudos que corroboraram aqueles que sempre se insurgiram contra a inflexibilidade do Governo.
Toda esta problemática da localização do novo aeroporto tem tido o dom de nos mostrar o seguinte: que a localização balanceará sempre segundo um complexo jogo de interesses. O que deve prevalecer na decisão do Governo será sempre o interesse nacional e nada mais do que isso. Infelizmente a actuação do ministro da tutela não augura exactamente isso. Mas estaremos todos atentos ao que se passará até ao dia 12 de Dezembro, data em que o LNEC apresentará as suas conclusões.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Dança das cadeiras com a Alemanha a mandar

A Alemanha voltou a mostrar quem manda na União Europeia, desta feita através de uma jogada política de última hora que, na prática, resultará na escolha de Ursula Von Der Leyen para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, substituindo Jean-Claude Junker. A jogada de Merkel deixou os socialistas exasperados por não cumprir o sistema de escolha de um dos Spitzenkandidaten, cabeças de lista. A escolha de Ursula Von Der Leyen que contará com alguma oposição (vamos ver quanta) no Parlamento e a escolha de Lagarde para o BCE são derrotas para os socialistas europeus, mas também deixam um sabor amargo na boca dos cidadãos europeus que assistem a estes golpes encabeçados por países como a Alemanha e a França e seus acólitos, tudo em manifestações pouco consonantes com a democracia. Estas escolhas demonstram uma vez mais que na dança das cadeiras é a Alemanha que manda numa Europa à deriva, a milhas de distância dos seus cidadãos.

Um desastre climático por semana

A frase em epigrafe foi proferida por Mami Mizoturi, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas - "um desastre climático por semana". Torna-se impossível não perceber a gravidade das alterações climáticas quando o ritmo dos desastres climáticos é tão acelerado.
Ora, este responsável acrescenta ainda que "as alterações climáticas não são do futuro, acontecem hoje". Isto depois do próprio secretário-geral das Nações Unidas ter feito capa da Time dentro de água, desalentado. O desespero é evidente.
A estratégia sugerida passa, desde já, por mais investimento em infra-estruturas, ou seja procurarmos uma adaptação às mudanças. Já.
No meio de cenários tão desoladores, encontramos ainda assim uma boa notícia: a cada vez maior visibilidade e assimilação do problema, o que implicará uma maior pressão, uma militância mais acérrima e uma maior exigência de uma inexorável mudança.
Está a chegar o dia em que líderes como Trump deixem d…