
Ontem assistiu-se a mais um indício de que a crise com origem no mercado subprime norte-americano (crise do crédito de alto risco) está longe de terminar. A enorme pressão de venda teve reflexos nas bolsas que apresentaram, ontem, resultados negativos. Ora, se o mau desempenho dos bancos é mais do que evidente, acaba por ser natural que se assista a uma multiplicidade de consequências negativas nos mercados bolsistas. Segundo alguma comunicação social escrita, muitos investidores terão abandonado as acções e terão optado por apostar noutros activos.
Existem fundamentalmente duas razões que estão no cerne desta problemática: por um lado, o mau desempenho que se verifica no sector da banca; alguns grandes grupos bancários dão sinais de acentuada instabilidade – o caso do Citigroup (aparente falta de liquidez) ou do Barclays (maus resultados). E por outro, existe uma manifesta crise de confiança nos mercados, e é do conhecimento geral que a confiança é um elemento-chave nestas questões financeiras.
Mas, felizmente, parece que começam a surgir notícias mais animadoras, oriundas, designadamente, dos EUA. O aumento do emprego norte-americano tem sido o sinal mais positivo dos últimos tempos, e denota alguma vitalidade da economia americana. Esta boa notícia não alivia por completo a falta de confiança que se regista desde Agosto deste ano, mas vem dar um sinal positivo às economias.
Do ponto de vista diametralmente oposto, o mau desempenho do sector bancário (e foi aqui que a crise eclodiu), e a falta de sinais mais animadores, em particular, no que diz respeito à falta de liquidez e aos maus resultados, tornam a questão da subida inesperada do emprego um pouco incipiente.
Da mesma forma, existem claros condicionamentos no que toca às medidas de atenuação dos efeitos da crise. Assistimos a uma conjuntura manifestamente desfavorável: o petróleo aumenta (ontem, por exemplo, o brent do mar do norte atingiu os 92.21 dólares; e em Nova Iorque, o petróleo atingiu os 95.93 dólares, muito perto dos 100 dólares); o elevado preço do petróleo tem consequências ao nível da inflação e condiciona as desejáveis descidas das taxas de juro; e o dólar continua sofrer alguma desvalorização, face, nomeadamente, ao euro.
Consequentemente, e face a esta conjuntura, o cenário não é muito animador, apesar de alguns sinais positivos. Espera-se que a situação no norte do Iraque possa ser diplomaticamente ultrapassada, no sentido de aliviar o preço do petróleo; espera-se também que o sector bancário melhore os seus resultados e que contribua para a recuperação da confiança dos investidores. De qualquer modo, note-se que a Reserva Federal Americana continua a injectar dinheiro no sistema financeiro.
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