
Note-se que este acordo sobre a flexisegurança pode ser um bom sinal, na medida em que agora se pode dar início a uma discussão séria sobre o mercado laboral, procurando uma convergência de políticas, mas salvaguardando as devidas diferenças entre os vários Estados-membros europeus.
No contexto português, a existência de um Governo pouco facilitador do diálogo aliado à existência de sindicatos monolíticos que recorrem exclusivamente a uma retórica anacrónica, e quando se acrescenta a esta infeliz equação a participação activa de um patronato arrogante e egoísta, não se vê mais do que intransigências obtusas e bloqueios desnecessários ao desenvolvimento do país. São os trabalhadores quem mais saem prejudicados desta situação.
No caso concreto da CGTP, esta continua a enveredar por um discurso centrado nos quem têm emprego, deixando sub-repticiamente cair a luta exequível pelo emprego, com a apresentação de propostas razoáveis; e por outro lado, a luta pela qualificação séria e profícua dos trabalhadores é preterida pela retórica dos direitos adquiridos daqueles que têm emprego. A CGTP não contribui pró-activamente para a resolução dos inúmeros problemas que assolam o mercado de trabalho, prefere ao invés votar contra, manifestar-se contra – os sindicatos do século XXI manifestam-se contra, votam contra, mas dialogam, procuram caminhos de proficuidade para todas as partes, defendendo neste processo os direitos dos trabalhadores que representam.
O caso da flexisegurança é ainda em larga medida uma incógnita, não se sabendo, de resto, o conteúdo das propostas para o funcionamento do mercado de trabalho, mas não se percebe o que é que se ganha com um não antecipado, sem participar na discussão dos problemas e sem dar um contributo no sentido de salvaguardar a defesa dos trabalhadores. Quando se exige uma modernização das empresas, uma maior e melhor qualificação dos trabalhadores, deveria igualmente exigir-se uma modernização dos próprios sindicatos, estando a CGTP à cabeça da lista.
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