
De facto, quem opina tem a tendência para explorar a negatividade, o que é, amiúde, contraproducente e dá origem a um clima de frustração aliada ao cerceamento das esperanças dos cidadãos. Se por um lado, é difícil não cair na tentação de apenas explorar os aspectos negativos da vida do país, por outro, é importante que sempre que se justifique se enalteça aquilo de positivo que se faz em Portugal.
Não podemos, contudo, ignorar que o Governo não conseguiu, por exemplo, reduzir a despesa, que continua a aumentar. Nem tão-pouco é possível esquecer que muito do que se conseguiu agora foi à custa de um aumento da carga fiscal, e que problemas como o desemprego (a falta de investimento é uma realidade incontornável) continuam a grassar no nosso país – com custos elevados a nível social. Mas de qualquer modo, o facto de se ter atingido a meta dos três porcento, com previsões que apontam para os 2,4 porcento no próximo ano, é um bom ponto de partida para a recuperação da economia. Aliás, só depois da resolução deste problema, até porque os compromissos com a UE fazem essa exigência, é que se poderá equacionar novos caminhos para a economia portuguesa. A garantia da sustentabilidade das finanças públicas é um primeiro passo no bom caminho.
Não obstante esta boa notícia, aliada a uma outra que nos indica que os impostos sobre os combustíveis não vão subir no ano que vem, existem previsões que apontam para um crescimento da economia abaixo do anteriormente avançado (FMI). E da mesma forma, não podemos ignorar os possíveis efeitos da crise de liquidez dos mercados financeiros possam ter na economia portuguesa. Seja como for, a notícia de um défice orçamental em consonância com o Pacto de Estabilidade e Crescimento é seguramente um óptimo presságio e a base para uma economia mais sólida.
É certo que em matéria de qualificação continuamos nos antípodas da Europa, é verdade que o tecido empresarial português necessita de uma reestruturação urgente, e não é menos verdade que em matéria de competitividade há muito por fazer. Mas apesar de tudo, não nos devemos deixar de congratular com esta conquista que no fundo é de todos os portugueses que deram o seu contributo, com custos por vezes demasiado elevados, é certo, mas pode ser que o futuro seja agora um pouco mais promissor. Espera-se que não se deixe de equacionar, depois de uma verdadeira consolidação das contas públicas, uma baixa de alguns impostos.
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