domingo, 19 de agosto de 2007

A urgência do Estado palestiniano


Vem o título deste texto a propósito do artigo que Rudolph Giuliani, forte candidato republicano à corrida à Casa Branca, escreveu na revista Foreign Affairs sobre o conflito israelo-palestiniano. Neste artigo, Giuliani mostra a sua recusa no apoio americano (da actual Administração) à criação de um Estado palestiniano, alegando que os EUA não devem apoiar a criação de um estado que patrocine o terrorismo. Giuliani adianta ainda que a existência desse estado deve ser precedida do cumprimento de determinados requisitos, designadamente, a coexistência pacífica com Israel e a condenação do terrorismo. Neste aspecto específico estamos todos de acordo. No entanto, a existência de um Estado palestiniano é condição sine qua non para a pacificação da região.

Não será, pois, exequível que a recusa na formação do Estado palestiniano – a actual Administração tem encetado esforços para que esse Estado seja viável – possa ser o pano de fundo ideal para um processo de paz do Médio Oriente. Giuliani comete um erro na análise que faz da situação: a coexistência entre os territórios palestinianos e Israel só é possível quando for acompanhada pela criação de um Estado palestiniano. É de uma ingenuidade gritante acreditar-se que primeiro há lugar a essa coexistência pacífica, e só depois é que estão reunidas as condições para o estabelecimento do Estado palestiniano. Uma premissa (coexistência) é indissociável da outra (Estado palestiniano). O que é feito da tão adorada real politik?

Com efeito, é preocupante assistir à mescla de ingenuidade e de intransigência do candidato republicano mais popular às eleições para a presidência americana. Esta postura de Rudolph Giuliani não augura nada de bom para a futura política externa americana – isto se o candidato republicano concorrer às eleições e ganhar.

Depois de anos de verdadeiros desastres em matéria de política externa, alguns políticos americanos são incapazes de emendar a mão. Preferem manter a postura de arrogância aliada à mais profunda inépcia. Os resultados estão à vista: uma intervenção militar no Iraque sem fim à vista, a instabilidade que não cessa no Afeganistão, a proliferação do anti-americanismo mais primário e o claro enfraquecimento dos EUA. Espera-se que o futuro seja mais auspicioso, mas com candidatos como o ex-mayor de Nova Iorque tudo volta a ser mais sombrio. Fica a esperança que os candidatos democratas mostrem uma maior sensatez relativamente a esta periclitante questão da paz no Médio Oriente.

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