
Celebra-se por esta altura os 60 anos da existência do Paquistão. País que nasceu da separação da Índia com o objectivo de garantir um país para a comunidade muçulmana. Após um início tumultuoso e sangrento, ainda hoje há discordâncias entre os historiadores sobre o número de mortos fruto dos confrontos iniciais após a separação, o Paquistão vive novamente tempos conturbados. Não é, contudo, excessivo afirmar que este país nunca deixou de viver períodos de instabilidade: o nascimento sangrento, a sempre perigosa instabilidade com a vizinha Índia sob pretexto de reclamar a região de Caxemira, o peso excessivo dos militares nos assuntos do país, e recrudescimento do radicalismo de cariz islâmico.
As próprias celebrações sobre o nascimento do país têm sido ensombradas pela ameaça terrorista. O aumento da preponderância de grupos inspirados no radicalismo talibã, a revolta destes grupos e o ressurgimento do wahabbismo, em particular, entre os militares pressagiam tempos difíceis para o Paquistão. Recorde-se que no mês passado assistiu-se a violentos confrontos entre islamistas e militares. O Presidente Pervez Musharraf tem sofrido pressões internas e externas e sofre contestações, em particular, em a nível interno.
A importância geo-estratégica do Paquistão é incontornável e o facto de possuir armas nucleares exige uma resposta (interna e até certo ponto com o apoio externo) contundente. O Paquistão não pode continuar a ser mais um baluarte de terroristas e nem tão-pouco pode continuar a proporcionar a profusão do radicalismo mais primário de inspiração islâmica. As madrassas, (escolas islâmicas) por exemplo, são amiúde fábricas de radicalismo.
A possibilidade do fundamentalismo conseguir prevalecer e dominar o Paquistão constituiria um duro revés na luta mundial contra o terrorismo. Esta é uma região de importância vital para a luta contra o terrorismo; a intervenção militar no Afeganistão está longe de terminar e o recrudescimento dos talibãs neste país anunciam que a estabilização do país está longe de se concretizar. É conhecido que o Paquistão ainda é o refúgio de muitos radicais vindos do Afeganistão que se reagrupam e se reorganizam no Paquistão, não obstante os aparentes esforços do Presidente General Musharraf. Por conseguinte, a instabilidade que se vive no Paquistão é o palco ideal para a proliferação de ideias e comportamentos radicais.
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