Avançar para o conteúdo principal

Espírito crítico

Por vezes questionamo-nos sobre quais as razões que impedem o desenvolvimento do país. São apontados vários óbices a esse tão almejado desenvolvimento: a existência de uma administração pública ineficiente e demasiado onerosa, do ponto de vista orçamental; a inexistência de um forte tecido empresarial; a deficiente formação dos recursos humanos, etc. Isto somado contribui de forma decisiva para o atraso do país, mas existem razões de outra natureza, subjacentes aos óbices já referidos, que impedem que o país conheça o caminho do progresso.
Ainda na semana passada ocorreu um episódio ao qual subjaz a mentalidade mesquinha e obtusa de uma classe política néscia – o afastamento da directora do Museu Nacional de Arte Antiga é mais um sinal daquela mentalidade serôdia de premiar os bajuladores e afastar os críticos. Efectivamente, este caso não traz nada de novo, são demasiados os episódios de amordaçamento do país.
Não obstante a ausência de novidade, importa sublinhar a perpetuação de uma mentalidade que condena o espírito crítico como se se tratasse de uma espécie de anátema de algumas almas irrequietas. Este Governo não aprecia o estilo mais participativo dos seus funcionários, muito pelo contrário, insiste em castigar aqueles que ousam ter espírito crítico. Infelizmente, esta mentalidade condena o país ao insucesso. Os mais competentes não são os que se calam, não são os bajuladores, nem tão-pouco são os que se vergam perante o dirigismo.
A directora do Museu Nacional de Arte Antiga tinha dado provas da sua excepcional competência, mas nem isso foi suficiente para que a tutela tivesse a sensatez de a manter no cargo. A competência, a capacidade de inovação, a visão estratégica e os resultados são meros pormenores insignificantes. O que é, de facto, valorizado é o silêncio e a subserviência. Desta forma, o país não sairá, tão cedo, do buraco em que se encontra.

Comentários

Unknown disse…
Se não nos pomos a pau (que expressão bonita :P) temos a PIDE do Séc XXI!!!!

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...