
A crise imobiliária americana terá, certamente, consequências a nível internacional. A economia portuguesa ressentir-se-á com alguma naturalidade. Refira-se que as fragilidades da nossa economia, designadamente o elevado endividamento das famílias e empresas aliado à insuficiência da poupança, tornam o país ainda mais vulnerável a estes abalos da economia mais forte a nível mundial. Não esqueçamos ainda que a banca portuguesa está fortemente endividada, com recurso a créditos ao exterior, consequência da forte procura de créditos internamente.
A falta de pagamento de créditos para a habitação nos EUA e a desvalorização dos imóveis, depois de oscilações que culminaram com a crescente perda de valor das casas, consolidou a crise imobiliária que afecta inexoravelmente a economia americana. Consequentemente, os bancos dificultam o acesso ao crédito, tornando-o mais caro e mais inacessível. Com efeito, o sector bancário procura proteger-se de situações que impliquem o não pagamento dos compromissos bancários, e da forte desvalorização das casas nos Estados Unidos
Por outro lado, esta crise tem reflexos negativos nas bolsas que assistem à inexequibilidade de negócios outrora promissores. É toda a economia americana, e não só, que sai abalada depois de uma crise que começa no sector imobiliário. O consumo sofrerá, de igual modo, uma retracção inevitável, afinal a valorização das casas não passou de um logro, tendo em conta o forte decréscimo do preço das mesmas.
A crise imobiliária americana terá implicações a vários níveis para outras economias no contexto global. Muitos negócios serão inviabilizados, em particular aqueles que assentam no pressuposto do acesso ao crédito facilitado. Essa condição deixou de existir. E num contexto global, hoje mais do que nunca, o que acontece na economia americana reflecte-se invariavelmente nas outras economias. Não é por acaso que a anunciada subida das taxas de juro pelo o Banco Central Europeu parece ter ficado sem efeito. Ao invés, o BCE fez acentuadas injecções de capital no mercado, precisamente para evitar uma crise de crédito mundial devido à falta de liquidez.
Num contexto micro económico, dever-se-á ter em conta os riscos, em matéria de endividamento, que as famílias e empresas portuguesas não cessam de aceitar. Refira-se que o endividamento torna as famílias e empresas ainda mais vulneráveis às crises que amiúde nos parecem longínquas e inócuas. Num mundo global, nenhum país com uma economia aberta pode alhear-se das crises que parecem afectar apenas os outros. Muito menos quando essas crises abalam uma economia como a americana. E a possibilidade do agravamento das prestações é real, não tanto pelo lado do BCE, mas sim pela parte do mercado. A Euribor não tem parado de subir.
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