quinta-feira, 5 de julho de 2007

Cimeira União Europeia Brasil


A realização da primeira cimeira entre o Brasil e a UE abre um vasto conjunto de novas oportunidades para a relação entre a potência emergente e a União Europeia. Do ponto de vista das relações estritamente económicas a cimeira poderá representar um incremento das relações entre a UE e o Brasil. Importa referir que a UE é o primeiro parceiro comercial do Brasil e o investimento da União é assaz significativo. A cimeira constitui ainda uma oportunidade sem precedentes para Portugal dar sinais da sua existência no seio da União Europeia. Diga-se, em nome da verdade, que Portugal está começar muito bem a sua presidência da União Europeia. Deseja-se uma continuidade das capacidades de liderança do primeiro-ministro, em estreita colaboração com o Presidente da Comissão, Durão Barroso.

Na verdade, as relações entre UE e o Brasil estavam a atravessar uma espécie de estagnação – notando-se do lado europeu algum desinteresse pela América Latina, e do lado brasileiro um sentimento de desconfiança em relação à União Europeia, em larga medida consequência da política agrícola seguida pela UE. A cimeira, que contou com o desempenho fundamental da presidência portuguesa da União Europeia, poderá representar o primeiro passo no sentido de desbloquear as relações entre Brasil e UE. Afinal, não há razão que justifique o entusiasmo da UE em relação a outras potências emergentes como o caso da China, Rússia ou Índia, e no sentido inverso a displicência com que a UE tem olhado para o Brasil.

Por outro lado, se a UE tem ambições de se tornar uma potência económica e política, no seu conjunto, sem estar incessantemente atrás dos EUA, a aproximação ao Brasil é também um bom prenúncio. A Administração Bush tem encetado uma aproximação de relevo ao Brasil, com objectivos claros de isolar a Venezuela. Neste sentido, a cooperação entre União Europeia e Brasil deve ser encarada como um sinal dos tempos e uma inevitabilidade. Espera-se, porém, que as intricadas questões relativas à política agrícola seguida pela União Europeia não ensombre a cimeira.

Finalmente, note-se que a participação na cimeira de vários líderes europeus dá um sinal de união e de consolidação dos interesses dos vários Estados-membros da UE. Espera-se, de qualquer modo, que essa união persista durante a abordagem a assuntos mais complicados da presidência portuguesa, designadamente quando for altura de se discutir o futuro tratado da UE. De resto, apesar de ainda não haver um acordo cabal sobre esta matéria, é crível que a presidência portuguesa da UE possa ser o palco privilegiado para uma confluência de posições. A Europa necessita com alguma urgência de acabar com as indecisões e com os impasses, podendo assim funcionar como uma verdadeira união de Estados.

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