Avançar para o conteúdo principal

Sociedade Civil




Tem-se falado com relativa insistência na sociedade civil a propósito do estudo encomendado pela CIP sobre o novo aeroporto. Muitos se congratularam com o ressurgimento da tal sociedade civil, reconhecendo a importância que essas vozes tiveram para o desenvolvimento de mais estudos sobre este assunto polémico num clima de significativa ponderação. Antes de mais, convém salientar o papel que o Presidente da República teve em toda esta matéria. Em todo o caso, o envolvimento dos cidadãos, dos meios de comunicação social e dos partidos da oposição na discussão sobre a Ota não deve ser subestimada, sob pena de estarmos a cometer uma incomensurável injustiça. De qualquer modo, a participação mais acutilante de um grupo de empresários através da CIP deu um contributo absolutamente determinante para o recuo do Governo.


A participação dos cidadãos nas discussões sobre as mais diversas matérias constitui um forte enriquecimento do próprio Estado democrático. A correlação das várias forças, sejam elas políticas, meios de comunicação social, e claro está, a sociedade civil reforçam a democracia pluralista. Quanto mais não seja para poderem mostrar novas perspectivas sobre um determinado assunto.


No caso concreto da Ota, não deixa de ser desconcertante verificar que os sucessivos governos que encomendaram estudos sobre hipotéticas localizações, gastando assim rios de dinheiro, foram displicentes ao ponto de contemplarem apenas duas localizações: a Ota e Rio Frio. Efectivamente, a sociedade civil, com o forte contributo, não o esqueçamos, do Presidente da República mostrou que pode haver uma possibilidade mais barata, estratégica, com custos ambientais mínimos e com uma elevada capacidade de ampliação.


Na verdade, muitos têm levantado a questão relativa aos alegados interesses dos empresários que pagaram o estudo, o que tem a sua plausibilidade. O que não invalida, contudo, a importância que o estudo em questão teve para se inverter a inevitabilidade da Ota. Pelo menos, desta forma teremos mais discussão e mais esclarecimentos.


Em suma, o caso da Ota é paradigmático da eficácia da sociedade civil na procura de soluções para o país. Não se subestime, pois, as inúmeras vozes que se levantaram, em jornais e noutros meios de comunicação social, de cidadãos mais ou menos anónimos que não se conformaram com a intransigência do Governo, e que procuraram um debate mais alargado sobre a localização do futuro aeroporto. Ora, seria de uma enorme proficuidade que mais vozes se insurjam contra outras incongruências deste país, desde a educação, passando por questões sociais, designadamente o emprego precário, até ao estado deplorável da justiça. Essa sim seria uma forte razão para nos congratularmos. É altura de se acabar com o silêncio que vai marcando a vida do país.

Comentários

Unknown disse…
Até que a voz nos doa!!!:)Sempre será a melhor forma de descrever a democracia!!!

Mensagens populares deste blogue

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecências, vai fa

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação e Trump é o ma