
A instabilidade que assola o Médio Oriente conhece agora a possibilidade de eclosão de uma guerra civil nos territórios palestinianos. A escalada da violência entre milícias do Hamas (considerado grupo terrorista pelos EUA e pela UE), partido do primeiro-ministro Ismail Hanieyh, e milícias da Fatah do presidente Mahmoud Abbas (mais próximo dos EUA) aproxima-se vertiginosamente da guerra civil. Esta situação de acentuada violência na faixa de Gaza e na Cisjordânia, poderá, inclusivamente, resultar no envio de uma força de paz internacional para a região. Se os confrontos entre as duas facções não forem cerceados, o débil processo de paz para a região será uma miragem ainda mais longínqua. Note-se que o Hamas tem rejeitado uma aproximação a Israel, o que invalida, pois, avanços no processo de paz.
Esta região não tem conhecido outra coisa que não seja a violência, havendo mesmo quem acredite não existir uma solução exequível para um futuro apaziguamento da região. Com efeito, o eterno conflito israelo-palestiniano é continuamente instigado por palestinianos e israelitas. Neste assunto não existem santos e pecadores; a inexistência de um estado palestiniano, a constante insegurança do povo israelita, a intransigência e o ódio que marcam o discurso e as atitudes dos líderes de ambos os lados, inviabilizam qualquer processo de paz. E mais: as disputas, que se perpetuam há décadas, sobre os territórios ocupados e sobre Jerusalém, e por outro lado a ingerência de alguns países como os Estados Unidos tornam todo o processo de paz ainda mais improvável.
De facto, o apoio mais ou menos assumido dos EUA a Israel não é, naturalmente, aceite pelo povo palestiniano, e este apoio redunda inevitavelmente numa revolta do povo palestiniano. O apoio americano justificou-se no passado, sem este Israel corria o risco de desaparecer, contudo, o apoio americano funciona agora como um obstáculo ao processo de paz. Sublinhe-se, no entanto, que o recurso ao terrorismo como arma por parte de grupos palestinianos deve sofrer a mais inequívoca condenação. Em bom rigor, o ódio e o medo sempre caracterizaram todos os esforços no sentido de se chegar a tão almejada paz entre povos relutantes em abandonarem as suas diferenças.
E agora são as dissensões internas que afastam ainda mais esta região da estabilidade que é absolutamente crucial para a paz no Médio Oriente. Em concreto, está é uma questão que diz respeito não só ao Médio Oriente como a todos os países que lutam contra o terrorismo; nunca será demais relembrar que o conflito israelo-palestiniano alimenta a retórica fundamentalista da generalidade dos grupos terroristas inspirados num radicalismo islâmico. Por conseguinte, urge que se debelem estes episódios de violência que se aproximam da guerra civil. É de uma importância extrema que se volte à mesa das negociações. O Quarteto para o Médio Oriente constituído pela ONU, UE, Estados Unidos e Rússia necessitam de concertar esforços no sentido de avançar com o processo de paz. De uma coisa, porém, podemos estar certos: a paz no Médio Oriente será, de facto, inexequível, enquanto se adiar ou dificultar a criação de um estado Palestiniano e enquanto se continuar a alimentar o ódio de ambas as partes.
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