sábado, 23 de junho de 2007

Finalmente há acordo

Foram ultrapassadas as diferenças entre Polónia, Reino Unido e restantes países europeus. As negociações, na cimeira europeia, para o novo tratado – sucessor da rejeitada Constituição europeia – chegaram assim a um desfecho positivo, finalmente há acordo. As negociações para este tratado ou mini-tratado, como alguns preferem chamar, veio pôr a nu o velho aforismo europeu: os interesses nacionais prevalecem invariavelmente em detrimento do interesse comum de construir uma União Europeia forte. Tudo isto à revelia dos cidadãos europeus.


De facto, o diferendo entre Alemanha e Polónia que parecia ter caído num impasse foi, apesar de tudo, ultrapassado. Na verdade, a invocação do passado difícil destes dois países é sintomática das inconstâncias de uma UE excessivamente alargada. A utilização do passado de invasor (Alemanha nazi) e de invadido (Polónia) denota que a Europa, não obstante a sua génese, ainda terá que lidar com as cicatrizes que marcam a História do velho continente. Ora, se a ausência de unidade política condena a própria unidade económica e monetária, não se antevê neste mini-tratado um funcionamento da UE mais eficaz, menos burocrático e, essencialmente, mais próximo dos cidadãos.


Note-se que o alargamento da União Europeia pode ter trazido novas oportunidades, mas traz também novos desafios e novas dificuldades que não podem ser olvidadas em nome do politicamente correcto! A negociação entre 27 Estados-membros é um processo muito mais intricado. O caso da última cimeira europeia e do diferendo entre a Alemanha e a Polónia a propósito do sistema de votos da União Europeia é paradigmático das dificuldades que se advinham no futuro. Levando mesmo a regressos ao passado como suposta linha de argumentação.


Por outro lado, os cidadãos europeus, não obstante do recrudescimento do optimismo em relação às instituições europeias, ainda têm muitas dúvidas em relação a uma Europa distante e sem rosto (sem ofensa, naturalmente, ao Presidente da Comissão, Durão Barroso). A ideia genérica de uma UE burocrática, afastada dos cidadãos, a perder o interesse pela defesa dos bem-estar social, afasta inevitavelmente muitos cidadãos de uma Europa que se quer unida, com mais pontos de convergência do que de divergência.


Não obstante as inúmeras dificuldades de uma Europa a várias velocidades (e Portugal que o diga, afinal andamos há quase 7 anos em marcha atrás), é absolutamente impreterível que se pugne por uma Europa unida, que se possa ir muito mais além da união económica. É fundamental que se criem condições para a unidade política e social, para que a Europa possa constituir um modelo alternativo à globalização geradora de iniquidades a que estamos habituados. É, pois, essencial que a Europa se aproxime dos cidadãos, que não abdique das suas tradições sociais em nome de um globalização falsamente adjectivada como inevitável. Os políticos e tecnocratas europeus devem perceber que a consolidação da UE é indissociável da vontade dos cidadãos europeus e da sua participação na construção europeia.

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