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O triunfo da boçalidade

Seria curioso saber o que vai na cabeça de todos aqueles que têm postulado que André Ventura e o seu Chega não são fascistas, agora que o ilustre deputado sugeriu que uma outra deputada (Joacine Katar Moreira) fosse devolvida ao seu pais e depois de imagens de um seu comício em que se vê a saudação nazi perante a passividade do inefável deputado. Isto por altura dos 75 anos de libertação do campo de Auschwitz.
Ventura, ele próprio bem capaz de protagonizar episódios verdadeiramente boçais, conta com a boçalidade de quem facilmente se entrega ao fascismo. Sim, o fascismo contará e contou no passado com a complacência e por vezes promoção activa das elites, sobretudo económicas, mas é de natureza boçal e conta com gente igualmente boçal que espera que o líder profira as imbecilidades do costume para as repetir e aplaudir. Tudo na mais conveniente linguagem rudimentar tão habitual no fascismo. Os líderes, esses, julgam fazer parte das elites e enquanto escondem o seu desprezo pelo povo. Pelo caminho promovem o machismo, o racismo, a homofobia, a ação sem reflexão, exultando as frustrações, apontando invariavelmente o dedo ao inimigo, contra quem urge lutar. De resto, a luta contra um inimigo que está sempre presente, de modo a sentirem-se uns verdadeiro heróis, desprovidos de qualquer espécie de espírito crítico, é central ao fascismo. Ventura que o diga, com os ciganos e a deputada negra e mulher.

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