Avançar para o conteúdo principal

A fome dos privados não se compadece com o SNS

Urgências fechadas; profissionais de saúde exaustos; doentes desamparados e um Serviço Nacional de Saúde que nunca recuperou verdadeiramente dos cortes efectuados durante o tempo da troika. É este o cenário do SNS pós-eleições
Em rigor, o Governo do Partido Socialista, profundamente empenhado em cumprir as metas impostas pela UE, limitou-se a gerir o que restava, sem nunca ter voltado a fazer um investimento no SNS digno desse nome. Existiram alguns remendos, muito por força dos partidos que apoiarem a anterior solução governativa, mas tudo claramente insuficiente.
Agora, sozinho, o Governo do PS, ainda profundamente dedicado à tarefa de agradar às hostes europeias, continua a mesma política de investimentos parcos e pontuais, com as consequências que estão à vista de todos aqueles que, por azar da vida, têm de recorrer a estes serviços.
Ora, será escusado lembrar a importância que o SNS tem, presumivelmente, para o Partido Socialista que sempre reivindicou orgulhosamente a paternidade do SNS. É evidente que esse orgulho simplesmente não pode existir hoje; nem orgulho, nem tão-pouco vontade de mudança porque o realmente interessa é sentir-se abençoado por um Europa tecnocrata e egoísta. Assim como é evidente que o desaparecimento da "geringonça" deixa o Partido Socialista mais livre para se voltar a deitar com os privados que, também neste particular, cada vez escondem menos a sua voracidade e são esses privados que, na ausência ou fragilidade de soluções, aparecem como a alternativa, mesmo que amiúde nem sequer o consigam ser. Seja como for, o facto é que a fome dos privados não se compadece com um SNS forte e o PS não será o partido capaz de fazer frente a essa voracidade, muito pelo contrário.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...