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Estado da Nação

Para além da reposição de parte dos rendimentos e da resistência à tentação de aplicar cortes tão do agrado do anterior governo, o actual Executivo dedicou-se quase exclusivamente à redução do défice, e com algum sucesso.
No entanto, essa redução do défice tem sido feita à custa do desinvestimento, à semelhança do que tem sido feito no passado, ou da não reposição do investimento necessário para o funcionamento adequado dos serviços, comprometendo, consequentemente, o próprio Estado Social.
Assim, e para se atingir as metas anunciadas com pompa e circunstância, o Governo deixa que a degradação na Saúde, Educação, transportes e noutros serviços do Estado considerados essenciais, continue a fazer o seu caminho.
Deste modo, o estado da Nação que se discute só pode ser visto de uma forma genericamente negativa. O Governo de António Costa escolheu os ditames europeus, sem qualquer contestação, em detrimento da melhoria dos serviços públicos. O ministro das Finanças, também Presidente do Eurogrupo, prefere os cortes assimétricos para o cumprimento de metas absurdas do que melhorar o funcionamento desses serviços. De resto, não se vislumbra o Presidente do Eurogrupo, que passa a vida a mandar postas de pescada aos países menos cumpridores, contestar estas regras draconianas.
Em suma, o estado da Nação continuará a andar pelas ruas da amargura enquanto se insistir na escolha do cumprimento acéfalo das regras sem qualquer espécie de espírito crítico. Resta saber até quando os partidos à esquerda do PS, que viabilizaram a actual solução governativa, continuarão a alinhar nesta farsa.

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