Avançar para o conteúdo principal

CDS: tiro (de canhão) no pé

Foi precisamente um tiro de canhão que Assunção Cristas deu no próprio pé. Primeiro deixou que o seu partido se colocasse junto do PSD e dos partidos à esquerda do PS na questão do descongelamento do tempo integral do tempo de serviço dos professores, e agora volta atrás, colocando a possibilidade de votar contra. Depois de uma manobra que rapidamente se percebeu ser desastrosa, Cristas procura agora emendar a mão, mas a verdade é que já não sobre muito para emendar. Resta agora esperar por Rui Rio que só falará hoje (domingo).
Não faltará muito para se começar a colocar em questão a própria liderança do CDS, provavelmente esse tempo será o subsequente ao resultado das eleições europeias e para os mais ponderados, depois das legislativas.
Não faltará muito, pois, para se olhar novamente para o táxi como habitat natural do CDS. De resto, esta manobra do partido é apenas o último estertor de uma liderança que para não destoar do outro partido de direita, tem-se revelado um mar de inanidade. Esta direita, infelizmente para a própria democracia, tem muito pouco para oferecer para além de pequenas lições de agricultura, designadamente no âmbito da metafísica das couves e da sua plantação, ou através do simples desfilar de uma vacuidade dilacerante.
Portanto, resta à actual liderança do CDS procurar o que sobra depois de ter dado um tiro de canhão no pé. Entretanto já se ouve a risota de Santana Lopes, como música desta verdadeira ópera-bufa em que se transformou a direita portuguesa.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...