Avançar para o conteúdo principal

Emergência Climática

O Governo português considera não ser necessária a declaração de emergência climática, tal como solicitado pelo Bloco de Esquerda, até porque já fizemos mais do que os outros. Voltando a apontar o dedo aos outros, João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, referiu que os países que já declararam o estado de emergência "não fizeram nada a partir daí", tratando-se de "um passo simbólico".
Recorde-se que milhões de estudantes fizeram greve às aulas e membros de grupos de activistas como os pertencentes ao "Extinction Rebellion" chamaram a atenção, bloqueando estradas, pontes e por aí fora. Subsequentemente, Reino Unido e Irlanda declararam o Estado de Emergência Climática.
A atitude do Governo português não destoa daquela de outros países que julgam que já fizeram o suficiente apenas porque alegadamente fizeram mais do que os outros, como se planeta pudesse ele próprio ser dividido e nós, por termos alegadamente feito mais do que os outros, estivéssemos a salvo. Como se agora pudéssemos descansar.
É verdade que o Estado de Emergência Climática é simbólico, mas chama a atenção para o maior problema com que a humanidade se depara, aquele que nos levará à extinção. É também verdade que o referido Estado de Emergência não pode deixar de ser acompanhado por acções concretas. Porém, cantar vitória por se considerar que já se fez muito é simplesmente absurdo. Nesta questão, muito continua a ser insuficiente. E são os mais jovens a perceber a verdadeira emergência e a lutar para que o pior não se torne o novo normal, para que a irreversibilidade não determine a realidade.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...