Avançar para o conteúdo principal

O que salta à vista é um país fragilizado

Independentemente da legitimidade dos grevistas, que não coloco em causa, a verdade é que com a greve dos motoristas de matérias perigosas salta à vista um país vulnerável. E apesar dos mecanismos ao dispor do Governo em caso de emergência, a verdade é que Portugal, num ápice, fica refém de um grupo profissional. Repito: esta conclusão não invalida a legitimidade de quem faz greve.
Em escassos dias, passou-se a olhar para o fundo dos depósitos. Fica-se com a ideia de que também neste particular vivemos sempre no limite, sem estratégia, apenas no limite.
Não deixa de causar alguma inquietação perceber que numa tarde instala-se o pânico e acaba-se o combustível.
Em suma, esta greve, independentemente da sua legitimidade, coloca em evidência um país cuja única estratégia parece ser a de viver no limite. É necessária uma reflexão, sobretudo num país que preferiu o automóvel a tudo o resto.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Só uma reedição do bloco central poderá salvar Rui Rio

O PSD está a passar por uma crise e o futuro próximo não augura nada de bom, com perspectivas de votação na casa dos 25 por cento. De resto, os resultados eleitorais saídos das eleições europeias já denotam que a crise é mais profundado que se esperaria.
As razões subjacentes a este difícil período prendem-se sobretudo com as divisões internas entre aqueles saudosistas de Passos Coelho e com impetuosidade mais próxima da direita e aqueles saudosistas do PSD do antigamente mais próximo da social-democracia. Creio, ainda assim sem forma de encontrar uma fundamentação sólida, que os saudosistas de Passos Coelho e daquele seu neoliberalismo de pacotilha e de bater punho, representam a maioria e o futuro do partido.
Perante este cenário e perante uma bancada parlamentar e parte do partido em posição de hostilidade, resta muito pouco a Rui Rio para sobreviver no pós-período eleitoral. Em rigor, resta apenas a esperança na reedição de um bloco central que acalmaria os nervos de m…

ADSE: uma guerra injusta

Esta guerra entre Estado e empresas no sector da saúde, com as últimas a rasgarem contratos com a ADSE é profundamente injusta para os beneficiários que, recorde-se, pagam inteiramente este subsistema de saúde. Mais: as razões invocadas por essas empresas, designadamente pelo Mello Saúde e Luz esbarram na lei e denotam uma ganância que não se justifica nem num contexto de capitalismo selvagem.
A ADSE reclama 38 milhões de euros com base num parecer da Procuradoria-Geral da República, os privados que se julgam acima da lei apoiam-se na chantagem e rasgam contratos, manifestando um desprezo abjecto pela saúde das pessoas - o lucro, o sacrossanto lucro, fala sempre mais alto. E quanto às tabelas de preços, a gula sempre foi apanágio destas empresas, por conseguinte não se encontra qualquer razão de espanto.
Ora, o que esta guerra nos mostra é que a chantagem também pode ser cartelizada e que o Estado tem que ter cuidado extremo nas relações que estabelece com estas empresas, …

Eles que andaram tão ocupados

Eles, os líderes europeus, passaram anos ocupados com processos de humilhação de Estados-membros acusados de não cumprirem as regras draconianas impostas por países como a Alemanha. Eles, líderes alemães, franceses, holandeses e quejandos passaram anos a apontar o dedo a alguns Estados-membros, salvando bancos e deixando os cidadãos em perfeita agonia, ignorando olimpicamente as causas da crise que deixara de ser do sistema financeiro para passar a ser dos dívidas soberanas. Alheio ao facto acima descrito, Macron insiste nas mesmas receitas neoliberais que estiveram subjacentes às humilhações que deixaram alguns políticos tão entretidos. Alheio às necessidades do povo que governa, Macron pavoneia-se como se não havendo pão, restassem os famigerados brioches. Agora, perante as maiores revoltas desde o Maio de 68 Macron mete o rabinho entre as pernas e recua nas medidas que deram origem aos protestos. No entanto, e como é evidente, quem se manifestou tem outras reivindicações…