Avançar para o conteúdo principal

O populismo de Marcelo

Caracterizado por ser um populista "leve" ou "benigno", sem nunca evidentemente deixar de ser populista, Marcelo Rebelo de Sousa lá vai fazendo o seu caminho até à reeleição,  como quem não quer a coisa, entre selfies em funerais, verdades, mentiras e desmentidos e um puritanismo a toda prova. Marcelo lá vai cuidando do povo. Marcelo lá vai dominando o povo.
Todavia, as últimas semanas não foram as mais felizes, sobretudo depois de director da Polícia Judiciária Militar e chefe de gabinete do ministro da Defesa dizerem uma coisa, enquanto Marcelo diz o seu contrário e depois ainda de mais uma manifestação de populismo bacoco, elaborando uma lei que impede a nomeação de familiares em Belém até quase à reencarnação - até ao sexto grau, melhor dizendo -  tudo para provar o seu carácter impoluto e as suas melhores intenções. Tudo para mostrar que ele estará sempre um passo à frente no que diz respeito à ética. Assim, como mostra estar um passo à frente no ridículo. É que os populistas têm disto: na ânsia de mostrarem o quanto protegem o povo, o quanto amam o povo e quanto são predestinados a cuidar do seu povo, caem amiúde no ridículo. O tal povo que costuma dizer que o ridículo mata. Mas não para Marcelo. Não para já.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...