Avançar para o conteúdo principal

E depois dos protestos?

Os franceses continuam a sair às ruas, munidos dos já mais do que famosos coletes amarelos, mesmo depois de alguns recuos de Emmanuel Macron. Agora a palavra de ordem é demissão. Muito bem. E depois? Quem está na linha da frente para ocupar o Eliseu? Marine Le Pen? Estas são as questões centrais. Quando as reivindicações redundam num clamoroso e uníssono pedido de demissão, importa perguntar para quê; importa refletir sobre o dia seguinte a essa demissão.
Para já Macron reúne-se com sindicatos, patrões e autarcas, mas não com a liderança ou líderes dos protestos porque não existirem. Mas as cedências – a existirem mais para além das anunciadas – nunca irão responderão, na totalidade ou perto dela, às exigências de quem protesta. E depois?
De resto, as políticas de Macron, à direita e limitadas pela moeda única, não poderiam ter um desfecho mais feliz para o presidente francês, o que não elimina as ditas grandes questões relacionadas com o futuro da França, com a Marine Le Pen a espreitar o Eliseu.
Por cá, naturalmente, há quem pugne por revoltas semelhantes, agarrando-se a comparações fáceis e em larga medida absurdas, na sua maioria sobre o custo de vida, como se os Estados fossem livres de adoptar as políticas económicas que bem entenderem.
E no caso português? O que resultaria dessas manifestações? Primeiro algumas reivindicações satisfeitas e depois a demissão do Governo? E depois? O regresso da direita? Qual direita?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...