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É preciso mais de um Governo de esquerda

A forma como o Governo tem lidado com a greve dos estivadores deixa muito a desejar, pese embora o recente comunicado do ministério do Mar pedindo as empresas que "iniciem de imediato o processo de eliminação da precariedade". Na verdade, o comunicado aparece demasiado tempo depois do início da greve, há três semanas.
Recorde-se que a precariedade fomentada pelas empresas sem rosto a operar em Setúbal perpetua-se durante décadas, o que torna a luta destes trabalhadores mais do que justa.
O Governo podia ter tido neste particular uma postura mais próxima da equidade que se lhe exige, sobretudo sendo este um Governo posicionado à esquerda do espectro político. Ao invés, o Executivo preferiu enviar trabalhadores para o porto de forma a que o carregamento de veículos da Auto-Europa fosse feito, facto que resultou numa escalada da tensão, dificultando, naturalmente, as negociações.
Agora chega o comunicado, talvez por força das exigências, também elas naturais, dos partidos mais à esquerda do PS, os tais que sustentam esta solução governativa.
Na verdade, o Governo deveria ter colocado a questão da precariedade em primeiro plano, coisa que nunca fez e que aparentemente tentará fazer agora, três semanas desde o início da greve. Pede-se mais de um Governo que se auto-intitula de esquerda.

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