segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O novo normal

Caímos, e muitos de nós sem sequer se dar conta, numa nova normalidade, num normal marcado pelo niilismo; numa nova normalidade que nega a moral e, em última análise, a verdade.
Neste contexto de nova normalidade, a indiferença de uns e o ódio de outros permitem que o Presidente dos EUA, Donald Trump, a propósito daqueles que procuram entrar em solo americano, dê carta branca aos militares para disparar sobre quem atirar uma pedra, transformando e deturpando a realidade que postula a força e eficácia de uma arma versus a tibieza com muito menor eficácia da pedra. A vida cessa de ser o valor supremo. E todos aceitam esta nova normalidade.
Apenas neste contexto é que se compreende que a eleição de Bolsonaro seja considerada o novo normal, isto apesar dos retrocessos civilizacionais prometidos. Apenas neste contexto do novo normal é que se percebe a escolha de Sérgio Moro, juiz que se alimentou do prazer de prender Lula, para novo super ministro da Justiça e das policias – um forte contributo para a desavergonhada destruição da separação de poderes e, por inerência, da própria democracia.
Apenas neste contexto de novo normal, dominado pelo mais abjecto niilismo, se convive com uma longa estirpe de ditadores, misóginos, boçais e sem qualquer espécie de pudor que mostram que o pior da espécie humano é o novo normal, é a nova regra, é o novo modelo.
Por cá, a expressão dessa nova normalidade parece ainda incipiente, graças a uma solução política que funciona, a um Presidente que sabe ser presidente e ao líder do maior partido da oposição que, apesar de todas as críticas de que nos possamos lembrar, ainda não cedeu ao novo normal. Mas até quando?
Por aí, pelas ruas e agora pelas redes sociais, sentimos um ódio cada menos latente, cada vez menos no ar, cada vez mais entranhado em cada um de nós; olhamos para um panorama que nos mostra demasiada gente zangada e confusa.
Por enquanto vamos andando menos mal, quando a grande polémica política se prende com as unhas de uma deputada. É que nem a pessoa mais zangada do mundo consegue tirar sumo suficiente dessa história, desse fait-divers. E por enquanto vamos andando menos mal. Por enquanto.

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