segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A morte das democracias

A democracia, o tal sistema a que nos habituámos, de tal maneira que nos esquecemos de lutar por ele, está em perigo de morrer e até em países europeus como a Hungria essa morte já foi consumada.
Em tempos, as democracias morriam às mãos de golpes militares ou outros golpes de Estado, agora são os próprios cidadãos, através do seu voto, a viabilizar a escolha do autoritarismo que, no melhor dos casos, enfraquecerá o sistema democrático e, no pior, acabará por matar a própria democracia.
A democracia morre assim às mãos de cidadãos descontentes e/ou desinteressados, executada por ditadores que usam caminhos democráticos a seu favor, transformando-os, dando-lhe o tão necessário cariz autoritário.
Dissociar a evolução do capitalismo desta deriva autoritária pode ser um exercício precipitado. De resto, o capitalismo selvagem pejado de especulação, pai das desigualdades, movido exclusivamente pelo aumento do lucro e convenientemente disfarçado pela tecnologia e pelos seus encantos, dá origem a um mundo a que muitos não sentem pertencer; dá origem a um mundo que muitos simplesmente não compreendem (Nietzsche já dizia que o maior dos perigos acontecia quando tudo deixava de fazer sentido); dá origem a um mundo sem esperança numa vida melhor para si e para o seus filhos.
Por outro lado, esses ditadores ou aqueles que tentam lá chegar contam com o apoio, mais ou menos tácito, das elites capitalistas para quem a morte da democracia não é forçosamente negativa desde que essa morte e o que lhe sucede não ameace os negócios. Não se espere, consequentemente, que sejam essas elites a lutar pelas democracias, desde logo porque essas mesmas elites quando colocadas perante a possibilidade de se deitarem com Deus e com o diabo escolhem quem dá mais lucro.
Perante isto, resta aos cidadãos saírem das suas redomas para lutar pela democracia – uma luta que, em bom rigor, nunca devia ter sido abandonada. Resta aos cidadãos lutarem pela democracia – pela sua soberania, pela possibilidade de escolha, pelo seu poder - sobretudo aqueles que escolhem o silêncio como modo de vida.

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