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Um Presidente "amoral"

Apelidar Donald Trump de "amoral" não é propriamente o pior que se pode dizer do Presidente americano, sobretudo numa semana em que se noticiou o novo livro de Bob Woodward, jornalista que ficou conhecido pelas suas investigações sobre o escândalo "Watergate", e depois ainda de um alto funcionário da Casa Branca fazer um retrato - mais um - assustador do Presidente americano.
Se no livro de Woodward a Casa Branca é descrita, por quem lá trabalha, como estando em esgotamento nervoso, ficando claro que os próprios conselheiros de Trump escondem documentos para evitar uma tragédia e que enganam Trump, em nome da segurança nacional, o alto funcionário, num texto publicado no New York Times e sob anonimato, descreve um Presidente com colaboradores muito pouco colaborantes. Esses colaboradores estão aparentemente organizados e empenhados, à semelhança do que é descrito por Woodward, em evitar uma tragédia. As frases do alto funcionário são esclarecedoras: "o meu primeiro dever é com este país e o presidente continua a agir de forma prejudicial à saúde da nossa república" e "É por isso que muitos dos nomeados por Trump prometeram fazer o que puderam para preservar as nossas instituições democráticas enquanto frustram os impulsos mais mal orientados de Trump até que ele deixe a presidência", ou ainda "a raiz do problema é a falta de moral do presidente. Qualquer um que trabalhe com ele sabe que não nenhum princípio a guiar as decisões que toma".
Noutro contexto, as frases acima enunciadas poderiam ser facilmente descartáveis e consideradas meramente opinativas, sem qualquer valor factual. No entanto, o contexto é já por si particularmente difícil para Trump. São demasiadas vozes a dizer basicamente o mesmo: que este é um Presidente perigoso para os EUA e para o mundo. Se calhar valerá a pena levar essas vozes a sério.

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